Avançar para o conteúdo principal

Parasitagem III - #pl118

Segundo notícia do Público, o Partido Socialista retirou a Proposta de Lei 118/XII para a rever e apresentar nova versão. Nenhuma novidade aqui. O processo continua, como anunciado anteriormente pela Deputada Gabriela Canavilhas

O que o Partido Socialista irá propor, mesmo com as alterações previstas, é inaceitável, por diversos motivos:
  • Inflacionará custos da informática empresarial: porque pretende aplicar uma taxa demasiado abrangente, que deveria incidir apenas sobre tecnologias de usufruto (áudio, vídeo); taxar armazenamento é tão absurdo como a taxar electricidade ou comunicações
  • Prejudicará competitividade empresas TI nacionais: taxação nacional dá vantagens a empresas estrangeiras:
    • Empresas de TI que importam equipamentos terão concorrência agravada por parte de empresas que operam no estrangeiro e não serão taxadas nas vendas directas para outros países - o que provocará uma situação semelhante ao que acontece na venda de combustíveis perto da fronteira espanhola, com a diferença de que afectará todo o território e não só as regiões fronteiriças
    • Empresas de TI que exportem os seus serviços verão os seus preços agravados artificialmente pela taxação, perdendo terreno para outras que operem em territórios não sujeitos a esta taxa
  • Enormes custos na cobrança: o esquema de responsabilidade de pagamento que é proposto dilui a responsabilidade pelos vários actores da cadeia de fornecimento, criando a necessidade de investir em sistemas de gestão mais complexos do que os do IVA. Não só as empresas de TI serão afectadas. Os próprios beneficiários da taxação terão tantos custos com a gestão das cobranças e dos litígios que os benefícios serão em grande parte absorvidos pela gestão e nunca chegarão aos destinatários
  • Burocracia legislativa: a proposta de revisão anual ou bianual da lei só serve para dar mais trabalho a assessores e juristas, não trazendo qualquer valor para a economia nacional; é mais um caso da enorme burocracia legislativa que sufoca a nossa sociedade
  • Objectivo inaceitável: apesar de o projecto-lei abordar formalmente a "cópia privada", os seus promotores têm vindo a admitir, de forma mais ou menos expressa, que o objectivo é compensar as perdas que as editoras têm tido nos últimos anos; estas perdas dizem, são por causa da "pirataria", mas o que não referem é que as perdas são também provocadas pela globalização e pela concentração do negócio editorial em multinacionais como a Apple/iTunes; assim sendo, é absolutamente inaceitável que se utilize o conceito de "cópia privada" para, artificialmente, subsidiar um sector empresarial que não soube acompanhar a evolução tecnológica, a evolução dos mercados e, mais importante, a evolução do interesse dos seus clientes.

Esta parasitagem do sector económico das editoras sobre o sector económico da informática não pode ser aceite. Estejamos atentos.

(e não se esqueçam de assinar a petição e divulgá-la)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Backup automático de disco USB (pen drive)

Hoje em dia toda a gente tem uma pen drive para levar os seus ficheiros de um lado para o outro. E muitas vezes está lá trabalho importante. Mas impõe-se uma pergunta: o que acontece se se perde a pen drive ? Ou se esta se avaria? Quem é que faz backups regulares da pen drive ? Muito pouca gente! Pessoalmente tenho por hábito fazer um backup cerca de uma vez por semana. Quando o trabalho é muito, faço backup mais vezes. Mas já por duas vezes as avarias me fizeram perder as versões mais recentes. E isto chateia. Por isso aqui há uns dias decidi "coçar esta comichão" e resolver o problema de forma mais sistemática: arranjei maneira de fazer um backup automático cada vez que ligo a pen drive a um computador. (sim, eu sei que há software específico para isto, mas que querem, apeteceu-me fazer mais um) A receita é relativamente simples: um script (DOS batch file ) que faz o backup , um ficheiro de definição de autorun e já está. 1. O script de backup - Basta instalar, na roo...

Ideias sobre o ensino à distância em 2020

O processo de combate ao COVID-19 obriga a que todos repensem as suas actividades normais e um dos sectores mais afectados é o Ensino. Diz-se com frequência que o Ensino em Portugal continua no séc. XX, porque continua a depender quase totalmente de lápis, caneta, papel e livros. Entre os anos de 1965 e 1987, Portugal teve a  Telescola , um projecto de ensino à distância que tentava resolver a falta de professores do ciclo preparatório (5º e 6º anos) em locais remotos. Desde então, tanto quanto sabemos, não houve mais projectos de ensino à distância em larga escala. Retrospectivamente, talvez tenha sido um erro mas, enfim, são coisas fáceis de dizer à posteriori. O tele-ensino não é uma coisa nova e os constrangimentos tecnológicos de hoje são muito menores. Nada que se compare, por exemplo com a experiência School of the Air , existente na Austrália desde 1951, quando os miúdos podiam apenas falar com os professores por rádios alimentados a pedais. Foto: "Miss Molly Ferg...

Recém-licenciados das TI não sabem produzir sistemas de informação

Uma das conclusões mais chocantes do recente trabalho " Competências a reforçar na formação dos profissionais de TI em Portugal ", do Grupo de Trabalho das Competências, da ANETIE é que os recém-licenciados não sabem o suficiente sobre construção de interfaces nem sobre produção de informação . Não conheço estatísticas sobre esta matéria. Mas julgo que não estará muito longe da verdade a afirmação de que mais de 90% dos licenciados em cursos ligados às TI estarão envolvidos profissionalmente na produção ou exploração de Sistemas de Informação de Gestão. Isto é: bases de dados, formulários electrónicos, relatórios operacionais ou analíticos, troca de informação entre sistemas, etc.. Ora o que a ANETIE apurou junto dos seus associados é que entre as maiores lacunas encontradas nos licenciados do sector que se vão depois dedicar à engenharia de software, os conhecimentos sobre coisas básicas como écrans de entradas de dados e emissão de relatórios são extremamente baixos. Outr...