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A mostrar mensagens com a etiqueta capitalismo

[Off-topic] Orgulho em pagar salários

Há uns dias um certo patrão da indústria, com interesses em Portugal, afirmou numa conferência de imprensa que não gosta de pagar salários . Para o caso de esta notícia vir mais tarde a desaparecer por ordem de um tribunal europeu qualquer, aqui está um extracto: Patrick Drahi confessou que não gosta "de pagar salários". (...) Numa conferência realizada na última quinta-feira à noite, depois de terem anunciado a compra da operadora norte-americana Cablevision, o presidente da Altice confessou: "Eu não gosto de pagar salários. Pago o mínimo que puder", acrescentou. Parece que é moda ser um patrão do século XIX. Nos últimos tempos há um crescente número de empresários que não se embaraça de vir a público dizer que não gosta de ter que preocupar com o pessoal que trabalha nas suas empresas. No caso do chefe da Altice, é mais estranho ainda. Toda a gente sabe que há uma enorme dificuldade em contratar técnicos talentosos na área das TIC. No entanto, P...

Clueless!

Nem de propósito. Depois de escrever mais um post sobre os abusos das operadoras de plataformas electrónicas de compras fui obrigado a usar uma que nunca tinha usado, mas já tinha ouvido falar. A coisa começou mal. O sistema para me autenticar, começa por me pedir para correr um applet não assinado e mal construído, o que é uma má prática que a Java Virtual Machine avisa que não será tolerada por muito mais tempo. Quando eu, relutantemente, dou permissão ao applet para correr, a primeira coisa que ele faz é perguntar-me em que sistema está. O quê?!? Que programadores são estes que nem sequer são capazes de identificar o sistema operativo em que o software está a correr? Mais adiante, mais problemas. Quando se usa um smartcard (cartão do cidadão ou outro) para assinar documentos, temos que escolher uma opção de um menu. Mas em vez de se escolher a opção óbvia - "smartcard" - temos que escolher a opção errada: "Ficheiro". Finalmente, se não temos ...

Abusos das plataformas electrónicas de compras: um sinal do Estado

Finalmente, passados vários anos, o Estado começa a acordar para os abusos praticados pelas empresas gestoras das plataformas electrónicas de compras. Aqui no Bitites já se falou disso há quase 4 anos . Mais vale tarde do que nunca. As plataformas electrónicas de compras, tornadas obrigatórias há uns anos, são geridas por um grupo muito pequeno de empresas. As entidades do Estado têm que seleccionar uma delas, colocando aí os seus concursos públicos, e todos os seus fornecedores têm que apresentar as suas propostas também nessas plataformas. Ora, estas empresas gestoras das plataformas, numa lógica de oligopólio, têm vindo a exigir aos fornecedores do Estado que paguem um número crescente de serviços que deviam ser gratuitos por lei. Serviços como os selos temporais e o apoio telefónico, por exemplo. Algumas destas empresas, apresentam aos fornecedores interfaces confusos e difíceis de usar, que acabam por obrigar o utilizador a recorrer ao help-desk pago durante horas a fio, e dep...

No poupar é que está o custo

Imaginem uma grande empresa. Tipo: 2.000 empregados. Essa empresa é gerida com punho de ferro por financeiros formados nas melhores universidades. Boa parte deles terá até MBAs tirados no estrangeiro. É uma empresa de serviços, de modo que praticamente todos os seus funcionários usam computadores. São os chamados " trabalhadores do conhecimento ". Nos últimos anos, à conta da crise, a empresa decidiu adiar os investimentos em equipamento informático . Para quê? Os computadores são todos iguais e comprar PCs novos para todo o pessoal é um desperdício. Não é? Bom, imaginemos um empregado médio, com um salário médio de 1.000 euros por mês (estamos em crise, o pessoal já não ganha o mesmo que antes). Utiliza o software criado pelo departamento de TI, que evolui todos os dias e necessita de cada vez mais recursos. As actualizações dos softwares de produtividade também exigem cada vez mais recursos dos PCs. Já há muito tempo que os os 2GB de RAM são insuficientes, e o PC ...

A Base de Dados da Ruína

Há umas semanas, Paul Ohm deixava na Harvard Business Review um apelo às empresas para que não construíssem a "Base de Dados da Ruína". As grandes empresas, no seu esforço de competição, acumulam cada vez mais dados sobre os indivíduos. Dados que compilam dos seus serviços ou que adquirem a quem os tem para vender. Neste esforço, todos os dados parecem importantes e necessários, mas a verdade é que aumenta o risco de virem a ser divulgados factos embaraçosos ou que que as pessoas queriam manter em segredo. Chegado a certo ponto, a divulgação ou uso dos factos acumulados numa dessas bases de dados podem causar muito mal à pessoa, daí a designação de "Base de Dados da Ruína". Vem isto a propósito do Decreto-Lei  198/2012 de 24 de Agosto, que estabelece a obrigatoriedade de todas as empresas nacionais entregarem mensalmente a lista detalhada de todas as facturas que emitiram a cada um dos seus clientes. O actual ministro das finanças é um homem com pouca experiê...

Estratégia: Tecnologia versus Agricultura

O actual governo parece ter decidido que a nossa agricultura é prioritátia. Aparentemente, as hordas de jovens desempregados devem regressar aos campos de onde os seus avós saíram cheios de fome à procura de emprego na cidade. O facto de a mecanização ter reduzido ainda mais o valor do trabalho agrícola desde então é, nesta estratégia, ignorado. Portugal, nos últimos anos, tem feito um forte investimento no aumento de competências da sua população. Há um par de anos conseguiu-se, para surpresa de muitos, equilibrar a balança de pagamentos tecnológica - exportámos tanta tecnologia como importámos. A ciência e a tecnologia são e serão a base de todo o desenvolvimento da Humanidade. As empresas tecnológicas portuguesas, apostando na internacionalização, precisam de recursos competentes e em boa quantidade. Apesar disso, os cursos profissionais tecnológicos são abandonados por este governo, cuja prioridade passa a ser a agricultura, a caça e a pesca. E os bons cursos universitários, sem ...

Subsídios é no QREN, s.f.f. - #pl118

A reportagem da TVI que passou no sábado sobre o projecto lei 118 veio reforçar convicção de que há um grupo de empresas nacionais que estão a fazer lobby para obter, com a desculpa da cópia privada, uma compensação pelas perdas "derivadas da pirataria". O "problema da pirataria" é, na realidade, um problema de posicionamento estratégico das empresas. Não há negócio quando não há valor para o cliente. O que as editoras estão a tentar fazer é prolongar a facturação por serviços que os seus clientes deixaram de valorizar da mesma forma. A "pirataria" existe por que a tecnologia actual permite realizar o "milagre da multiplicação" praticamente sem custos, o que torna irrelevante o negócio da cópia e distribuição. Está assim cada vez mais claro o que se pretende: angariar um subsídio anual de 6 milhões de euros para o sector editorial, com revisão anual da lei para garantir que o subsídio não falhe mesmo que apareçam novas tecnologias. Um sub...

Parasitagem III - #pl118

Segundo notícia do Público , o Partido Socialista retirou a Proposta de Lei 118/XII para a rever e apresentar nova versão. Nenhuma novidade aqui. O processo continua, como anunciado anteriormente pela Deputada Gabriela Canavilhas .  O que o Partido Socialista irá propor, mesmo com as alterações previstas, é inaceitável, por diversos motivos: Inflacionará custos da informática empresarial : porque pretende aplicar uma taxa demasiado abrangente, que deveria incidir apenas sobre tecnologias de usufruto (áudio, vídeo); taxar armazenamento é tão absurdo como a taxar electricidade ou comunicações Prejudicará competitividade empresas TI nacionais : taxação nacional dá vantagens a empresas estrangeiras: Empresas de TI que importam equipamentos terão concorrência agravada por parte de empresas que operam no estrangeiro e não serão taxadas nas vendas directas para outros países - o que provocará uma situação semelhante ao que acontece na venda de combustíveis perto da fronteira espa...

Contra a Taxa Canavilhas

Aderimos à campanha "Não à Taxa", que procura convencer a nossa Assembleia da República a não aprovar a Taxa Canavilhas. O Projecto-Lei 118/XII é uma tentativa de cobrar dinheiro a quem não o deve pagar e entregá-lo a entidades opacas que representam organizações que vivem de um negócio ultrapassado pela realidade tecnológica. Sugerimos a todos que assinem a petição " Impedir a Taxação da Sociedade da Informação " e que a divulguem pelos vossos amigos e conhecidos. Dois excelentes índices do que se tem dito sobre este projecto de legislação pode ser encontrado aqui (blogues) e aqui (imprensa).

Richard Stallman no IST

Richard Stallman O grande mentor do software livre, Richard Stallman, está em Portugal esta semana. Hoje, pelas 14h, estará no Auditório A1 no Complexo Pedagógico 1 da UMinho, em Braga e amanhã, também pelas 14h, estará no Grande Anfiteatro do IST, em Lisboa. " Richard Matthew Stallman , frequentemente abreviado para 'rms ' ( Manhattan , 16 de março de 1953 ) é um famoso hacker , fundador do movimento free software , do projeto GNU , e da Free Software Foundation (FSF) ("Fundação para o Software Livre"). Um aclamado programador , seus maiores feitos incluem Emacs (e o GNU Emacs , mais tarde), o GNU Compiler Collection e o GNU Debugger . É também autor da GNU General Public License ( GNU GPL ou GPL ), a licença livre mais usada no mundo, que consolidou o conceito de copyleft . Desde a metade dos anos 1990 , Stallman tem dedicado a maior parte de seu tempo ao ativismo político , defendendo software livre e lutando contra a patente de softwares e a e...

Parasitagem - II - (Proj. Lei 118/XII do P.S.)

Após as audições da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, em que participaram também a ANETIE e a ANSOL, o grupo parlamentar do PS apresentou uma série de propostas de alteração ao seu Projecto Lei 118/XII. Não podemos deixar de saudar aquilo que aparenta ser o reconhecimento do exagero absurdo que tinha sido proposto anteriormente. No entanto, as alterações que o PS concede estão muito aquém do que será necessário. Vejamos. Como nunca se tinham dado ao trabalho de fazer as contas e perceber como estava mal elaborado o cálculo da taxa, os deputados do PS são agora obrigados a estabelecer um tecto máximo de 6% sobre o valor de cada produto. É que havia estimativas que punham a taxa num valor superior a 100% daqui a um ano ou dois para certos tipos de equipamento e isso acabou por ser uma proposta insustentável. No entanto, uma taxa nacional de 6% sobre estes equipamentos colocará, mesmo assim, uma pressão injusta sobre os preços dos importadores nacionais, e provocará u...

Parasitagem (Proj. Lei 118 do P.S.)

Segundo a Bíblia, Jesus Cristo fez o milagre da multiplicação dos pães, alimentando, com apenas cinco pães e dois peixes, uma multidão de mais de cinco mil pessoas. Estas pessoas não tinham onde comer e nem comprar o alimento. Cristo, contando com a generosidade de um menino que lhe doou os pães e os peixes, pôde alimentá-las e ainda sobraram doze cestos cheios. [adap. daqui ] Segundo o Partido Socialista, de acordo com a lógica que pretende impor através do Projecto Lei 118 sobre a cópia privada, ao partilhar os peixes e pães, Jesus Cristo estaria a prejudicar irremediavelmente os pescadores e padeiros da Palestina, pelo que todas as pessoas que comprassem cestos deveriam pagar uma taxa adicional para entregar a uma associação daqueles profissionais. Se isto parece absurdo, é porque a lei que o Partido socialista propôs é mesmo absurda. Se algumas pessoas copiam músicas e filmes utilizando discos ópticos e magnéticos porque diabos terão todos os utilizadores de discos ma...

[Off-topic] O cigano e o burro

Era uma vez um cigano que tinha um burro. Que, como todos os burros, comia. Comia que nem um burro, poder-se-ia dizer. Mas o cigano não tinha muito dinheiro, e achava que gastava muito com a alimentação do burro. Depois de muito pensar, o cigano decidiu que o burro tinha que se habituar a comer menos. Afinal, isto de comer é também uma questão de hábito, achava ele. Um hábito caro, segundo a sua opinião. Pensando assim, o cigano começou a cortar na ração do burro. Ao fim de algum tempo, tinha reduzido os custos da alimentação do burro para metade. Estava muito satisfeito. E como o plano estava a dar resultado e o burro não protestava, o cigano continuou a poupar. Um dia, o cigano chegou ao estábulo onde o burro ficava durante a noite e encontrou o burro no chão. Estava morto. O cigano ficou muito aborrecido por o burro lhe ter morrido. Não só porque lhe fazia falta para os trabalhos diários mas, principalmente, porque tinha gasto tanto tempo a habituar o burro a comer pouco. E ...

Crise da Dívida = Excesso de Outsourcing

O outsourcing é moda nas TI já há vários anos. No entanto, o excessivo nível de outsourcing pode deixar as organizações fragilizadas, na excessiva dependência dos seus fornecedores. Assim como quem pede dinheiro emprestado. No inicio, é só facilidades. Depois os juros acumulam-se e quanto mais difícil se torma a situação, mais o credor aperta. Afinal, o financiamento bancário não é mais do que o outsourcing do financiamento próprio, não é verdade? As organizações que abusam do outsourcing deviam tirar algumas lições da crise da dívida. Um dia destes, a sua falta de capacidade interna para realizar as tarefas mais básicas pode acabar por lhes sair muito caro. Não seria de esperar que as organizações mantivessem nas suas equipas, pelo menos, pessoal com capacidade para avaliar os fornecedores a quem subcontratam serviços? Ou pessoal para manter serviços mínimos caso um fornecedor abandone o mercado?

[Off-topic] Sem vergonha

Este anúncio que vi hoje chocou-me. É a afirmação pública e desavergonhada de um princípio presente na prática de muitos empresários e directores financeiros. Gente sem vergonha, que é capaz de receber o dinheiro dos seus clientes e não pagar aos seus funcionários, fornecedores e parceiros. Gente que, no mínimo, merece ser processada e levada à falência. Gente cujo mau carácter se reflecte na forma como maltrata o princípio de que um bom negócio deve beneficiar todas as partes. Prejudicando, no final, até os clientes que lhe "dão de comer". Conheço o género. Infelizmente.

Para os adeptos incondicionais do cloud computing...

Crash da Amazon Elastic Compute Cloud (EC2) provoca perda de dados Sony pede desculpas pela exposição de 10 milhões de cartões de crédito VMWare Cloud Foundry vai abaixo pela segunda vez

Off-Topic: OPA hostil

Portugal está a ser alvo de uma OPA hostil. Para quem não está familiarizado com esta nomenclatura "bolsista", vale a pena explicar que a OPA hostil é uma operação de aquisição que um grupo económico faz a outro, contra a vontade dos accionistas principais deste último. Normalmente a OPA hostil acontece quando o grupo que está a ser adquirido está numa posição de fraqueza económica e/ou financeira. Os Portugueses, à semelhança de muitos outros povos, têm vindo a viver acima das suas capacidades. Apesar de produzirmos cada vez menos bens e serviços competitivos, alimentámos a ilusão de que podemos melhorar o nosso estilo de vida mesmo assim. O sistema financeiro mundial incentiva este caminho, esfregando as mãos de contente ao ver-nos enterrados numa dívida cada vez maior. Entretanto, esse mesmo sistema financeiro, que também tem problemas graves, decidiu que é altura de apertar o cerco e colher o fruto do "traba...

Facebook: o fim da privacidade ou o abuso de confiança?

Em Janeiro, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, afirmou que as expectativas da sociedade mudaram e que a que a privacidade já não é norma . Esta postura liberal em relação aos dados das pessoas seria pouco importante se fosse apenas uma discussão teórica. Mas Mark Zuckerberg controla a maior rede social do mundo, com mais de 400 milhões de utilizadores registados e, se Mark quiser, pode saber tudo o que eles lá colocam, seja público ou privado, incluindo todas as suas ligações, fotos da família, mensagens trocadas, conversas em chat, etc.. Mais: um dos mecanismos que o Facebook nos disponibiliza para encontrarmos velhos amigos depende de lhe darmos as nossas credenciais de acesso a contas de email, incluindo a nossa palavra passe. Notícias recentes dão conta de um processo judicial contra Mark Zuckerberg, que é acusado de usar informação confidencial registada no Facebook para entrar nas contas de email de rivais e jornalistas . Muito para além das posições públicas de Mark sobre a ...

Marketing pessoal

Moxie Marlinspike é um programador jeitoso que está desempregado desde o ano passado. Provavelmente atrapalhado com alguma dificuldade financeira, Moxie decidiu fazer marketing pessoal: inscreveu-se como conferencista no evento Black Hat DC 2009 e foi dizer ao mundo que o SSL - sistema que toda a gente usa para garantir a segurança do acesso aos websites seguros - afinal não é seguro. E para provar isso a toda a gente, desenvolveu e publicou na net um programa chamado sslstrip que demonstra a sua teoria. Moxie Marlinspike anuncia-se ao mundo como um anarquista com tendências poéticas que gosta de viajar e fazer vela. E é também um estudioso das questões de segurança informática. Na página onde publicou a sua "bomba", Moxie sugere que quem faz download do código faça também uma doação em dinheiro, dizendo: "Se te sentes generoso fica sabendo que eu faço investigação sobre segurança por interesse pessoal e que só muito ocasionalmente publico os meus achados. Se gostas do...

[Off-topic] "Novas" tendências de gestão

Afinal as novas tendências de gestão não são de agora. E as suas consequências também já são conhecidas há muito. Vejam esta carta do Senhor Vauban , Engenheiro Militar e Marechal de França, dirigida ao Senhor Losvois, Ministro da Guerra de Luís XIV, datada de 17 de Julho de 1683. "Monsenhor: ... Há alguns trabalhos nos últimos anos que não acabaram e não acabarão nunca, e tudo isso, Monsenhor, porque a confusão que causam as frequentes baixas de preços que surgem nas suas obras só servem para atrair como empreiteiros os miseráveis, malandros ou ignorantes e afugentar aqueles que são capazes de conduzir uma empresa. Digo mais, deste modo eles só atrasam e encarecem as obras consideravelmente porque essas baixas de preços e economias tão procuradas são imaginárias, dado que um empreiteiro que perde, faz o mesmo que um náufrago que se afoga, agarra-se a tudo o que pode; e agarrar-se a tudo, no ofício de empreiteiro, é não pagar aos fornecedores, pagar baixos salários, ter os piores ...