sexta-feira, 25 de setembro de 2015

[Off-topic] Orgulho em pagar salários

Há uns dias um certo patrão da indústria, com interesses em Portugal, afirmou numa conferência de imprensa que não gosta de pagar salários.

Para o caso de esta notícia vir mais tarde a desaparecer por ordem de um tribunal europeu qualquer, aqui está um extracto:
Patrick Drahi confessou que não gosta "de pagar salários". (...) Numa conferência realizada na última quinta-feira à noite, depois de terem anunciado a compra da operadora norte-americana Cablevision, o presidente da Altice confessou: "Eu não gosto de pagar salários. Pago o mínimo que puder", acrescentou.

Parece que é moda ser um patrão do século XIX. Nos últimos tempos há um crescente número de empresários que não se embaraça de vir a público dizer que não gosta de ter que preocupar com o pessoal que trabalha nas suas empresas.



No caso do chefe da Altice, é mais estranho ainda. Toda a gente sabe que há uma enorme dificuldade em contratar técnicos talentosos na área das TIC. No entanto, Patrick não está nada preocupado com isso, a ponto de fazer declarações destas em público, arriscando-se a antagonizar os empregados das suas empresas pelo mundo fora.

Suspeito que haverá muitos empresários por aí que gostariam de ter a lata de fazer o mesmo género de afirmações, e até conheço alguns. Esses vão-se fartar de rir deste post, mas para eu me importar com isso era preciso que respeitasse as suas opiniões.

Na verdade, uma das coisas que me dá mais prazer e orgulho em ser empresário é assinar a transferência dos salários da nossa equipa todos os meses.

Gosto de pagar salários por razões várias, mas posso destacar uma ou duas. Ser sócio de uma empresa é uma forma de exercer uma liberdade profissional difícil de atingir quando se é apenas empregado. Constituir uma equipa e conseguir, mês após mês, que essa equipa possa usufruir também da existência do nosso projecto empresarial, dá-nos uma satisfação que vai bastante para além daquilo que seria de esperar numa carreira "apenas" informática.

É possível que essa seja uma das principais razões para que, em termos empresariais , o Patrick esteja na Liga dos Campeões e e a nossa equipa jogue apenas no campeonato nacional com umas idas pontuais à UEFA. Mas ao menos não tivemos que vender a alma ao diabo.

Os Ebenezer Scrooge deste mundo ganham muito dinheiro e não gostam de partilhar. Acham-se melhores que todos os outros. Isso de pagar salários será, portanto, uma aberração. Triste será o mundo deles. Como sociedade, podemos responder-lhes simplesmente: Been There, Done That :-p


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Matar o mensageiro

Um tribunal europeu condenou a Google a fazer desaparecer das suas pesquisas os resultados "prejudiciais" para um certo indivíduo espanhol.

Isto está errado, por diversas razões:

1. A Google não é responsável pelos conteúdos, é apenas o indexador que permite a pesquisa. Será que vamos condenar por pedofilia os bibliotecários que mantenham clássicos gregos nas suas bibliotecas?

2. A decisão é impraticável sem arriscar a enormes prejuízos para a liberdade de expressão. A coisa já foi tentada no Youtube, com péssimos resultados. Uma qualquer distribuidora de música ou filmes pode deitar abaixo um filme caseiro ao afirmar, sem qualquer verificação independente, que uma publicação viola direitos de cópia.

3. Sabiam que há dezenas de motores de pesquisa para além do Google?

Notícia: http://www.theguardian.com/technology/2014/may/13/right-to-be-forgotten-have-you-ever-wanted-something-deleted-from-the-web-google

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Informação falsa e propósito danoso



Que outra designação se pode dar a isto? Este tempo de espera é inútil e é introduzido apenas para convencer o utilizador a comprar algo de que não necessita.

Mais um post facilitado pela falta de ética de uma empresa que explora uma plataforma electrónica de compras contratada pelo Estado.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Clueless!

Nem de propósito. Depois de escrever mais um post sobre os abusos das operadoras de plataformas electrónicas de compras fui obrigado a usar uma que nunca tinha usado, mas já tinha ouvido falar.

A coisa começou mal. O sistema para me autenticar, começa por me pedir para correr um applet não assinado e mal construído, o que é uma má prática que a Java Virtual Machine avisa que não será tolerada por muito mais tempo.



Quando eu, relutantemente, dou permissão ao applet para correr, a primeira coisa que ele faz é perguntar-me em que sistema está. O quê?!? Que programadores são estes que nem sequer são capazes de identificar o sistema operativo em que o software está a correr?



Mais adiante, mais problemas. Quando se usa um smartcard (cartão do cidadão ou outro) para assinar documentos, temos que escolher uma opção de um menu. Mas em vez de se escolher a opção óbvia - "smartcard" - temos que escolher a opção errada: "Ficheiro".

Finalmente, se não temos o tipo de certificado que o software quer (mas não diz em lado nenhum qual é) o processo de envio e assinatura de ficheiros termina uma simples mensagem de "Erro", sem dizer mais nada.

Este site é uma vergonha para a nossa profissão.

Curiosamente, esta má qualidade até é benéfica para a operadora da plataforma. O utilizador incauto sentirá necessidade de ligar para o help-desk, onde alguém muito simpático confirmará o erro e informará que mais do que isso não pode fazer se o desgraçado não largar alguns euros a comprar pacotes de serviço de helpdesk. Desesperado para enviar a tal proposta que o vai pode ajudar a aguentar a crise durante mais umas semanas, o fornecedor do Estado ficará tentado a ceder a este esquema imoral de ganhar dinheiro.

Será de propósito? Só eles poderão dizer. Mas que parece... parece!

"Legacy systems" do futuro próximo

Ao ver ontem na TV o anúncio do novo tablet Magalhães com Android fiquei admirado pelo forte "endorsement" que a Intel lhe faz, Não admira, já que a Intel anda há uns tempos a tentar entrar no mundo da mobilidade. Mas mesmo assim é surpreendente, ver a Intel sozinha num sistema de grande divulgação, descolando-se da sua eterna parceira Microsoft.

Apercebi-me que já não falta muito para que os departamentos de TI se tenham que preocupar com outro tipo de "legacy systems". Desta vez os que são baseados em Windows.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Abusos das plataformas electrónicas de compras: um sinal do Estado

Finalmente, passados vários anos, o Estado começa a acordar para os abusos praticados pelas empresas gestoras das plataformas electrónicas de compras. Aqui no Bitites já se falou disso há quase 4 anos. Mais vale tarde do que nunca.

As plataformas electrónicas de compras, tornadas obrigatórias há uns anos, são geridas por um grupo muito pequeno de empresas. As entidades do Estado têm que seleccionar uma delas, colocando aí os seus concursos públicos, e todos os seus fornecedores têm que apresentar as suas propostas também nessas plataformas.

Ora, estas empresas gestoras das plataformas, numa lógica de oligopólio, têm vindo a exigir aos fornecedores do Estado que paguem um número crescente de serviços que deviam ser gratuitos por lei. Serviços como os selos temporais e o apoio telefónico, por exemplo. Algumas destas empresas, apresentam aos fornecedores interfaces confusos e difíceis de usar, que acabam por obrigar o utilizador a recorrer ao help-desk pago durante horas a fio, e depois pressionam-no para comprar "cursos de formação". Os fornecedores do Estado não têm alternativa. O seu cliente escolheu uma plataforma e obriga-o a usá-la. Com esta vantagem, várias plataformas são usadas como forma de extorsão, com a desculpa de "facilitar o acesso" ou "prestar apoio".

Num comunicado do passado dia 8, o INCI afirma finalmente uma posição crítica sobre estas matérias.

Diz o INCI:
"Têm sido comunicadas a este Instituto inúmeras situações praticadas por empresas gestoras de plataformas eletrónicas de contratação pública contrariando a lei, nomeadamente o artigo 5.º, nº 4 do Decreto-Lei nº 143-A/2008, de 25 de julho, segundo o qual «A entidade gestora da plataforma eletrónica não pode cobrar aos interessados, candidatos e concorrentes, qualquer quantia pelo acesso ao sistema de contratação eletrónico disponibilizado na plataforma eletrónica e para a utilização das funcionalidades estritamente necessárias à realização de um procedimento de formação de um contrato público total e completo».
É o caso da cobrança de selos temporais às empresas candidatas ou concorrentes em procedimentos aquisitivos públicos."
Para cúmulo, como refere o INCI, as empresas gestoras não se satisfazem em exigir que os fornecedores do Estado comprem selos temporais. Exigem que esses selos lhes sejam comprados directamente. E mais: mesmo que o fornecedor só precise de responder a um concurso, é obrigado que comprar uma quantidade mínima de selos, obrigando a um investimento de centenas de euros para responder a um simples concurso. Selos que, se não forem usados dentro de um prazo de alguns meses, perderão validade sem direito a reembolso por não utilização.

Em face destas práticas, o INCI afirma, preto no branco, que é ilegal a cobrança de:
"a) Selos temporais;
 b) Serviços de suporte técnico (help desk);
 c) Aquisição de pacotes de acesso à plataforma sempre que os utilizadores pretendam aceder à mesma em mais do que um terminal;
 d) Serviços de “sms”, pretensamente obrigatórios, e necessários à apresentação de propostas/candidaturas."
Esperemos que este seja um primeiro passo para que esta questão possa ser tratada com justiça e que não estejamos - Estado e seus fornecedores - a pagar duas vezes o mesmo serviço.

O ideal mesmo era que fosse estabelecido um standard aberto de comunicação com as plataformas de forma electrónica. Isso permitiria que outros interessados produzissem interfaces para os fornecedores do Estado e que estes pudessem passar a escolher o software que usam.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

"Working hard to restore your access. Please try in a few hours"

É impressão minha ou os sistemas da Google estão a dar cada vez mais problemas?

Será que o excesso de complexidade está a cobrar a sua taxa? Ou será o pessoal a descansar à sombra da bananeira?



terça-feira, 1 de outubro de 2013

No poupar é que está o custo

Imaginem uma grande empresa. Tipo: 2.000 empregados. Essa empresa é gerida com punho de ferro por financeiros formados nas melhores universidades. Boa parte deles terá até MBAs tirados no estrangeiro. É uma empresa de serviços, de modo que praticamente todos os seus funcionários usam computadores. São os chamados "trabalhadores do conhecimento".



Nos últimos anos, à conta da crise, a empresa decidiu adiar os investimentos em equipamento informático. Para quê? Os computadores são todos iguais e comprar PCs novos para todo o pessoal é um desperdício. Não é?

Bom, imaginemos um empregado médio, com um salário médio de 1.000 euros por mês (estamos em crise, o pessoal já não ganha o mesmo que antes). Utiliza o software criado pelo departamento de TI, que evolui todos os dias e necessita de cada vez mais recursos. As actualizações dos softwares de produtividade também exigem cada vez mais recursos dos PCs. Já há muito tempo que os os 2GB de RAM são insuficientes, e o PC utiliza frequentemente o disco rígido como extensão à memória do computador, tornando-se 5-10 vezes mais lento.

E agora vamos fazer umas contas.

O custo anual desse empregado, incluindo segurança social, seguros, doenças, formação, férias, subsídios de férias e natal, instalações, etc., fica, por alto, em 2.000 euros/mês.

Se, por causa de um PC lento, um empregado gasta 1 minuto a fazer uma tarefa que normalente levaria 30 segundos, isso custa dinheiro. Se essa pessoa necessitar normalmente do computador para metade do seu trabalho, isto significa essas tarefas lhe passam a ocupar o dobro do tempo. Isto é: o trabalho com o computador deixa de ocupar metade e passa a ocupar 2/3 do tempo da pessoa (porque as restantes tarefas continuam a demorar o mesmo). Quanto é que isto custa? Se antes o trabalho com computador custava 1.000 euros/mês, passou a custar 1.333 euros/mês.



Portanto, a decisão de não investir em equipamento informático causa à empresa um prejuízo 333 euros/mês para este empregado típico. Deixo para exercício dos leitores o cálculo do prejuízo para um informático que ganhe 2.000 euros/mês e passe todo o seu tempo a trabalhar no computador.

E quanto custaria resolver este problema? Um computador pessoal razoável, hoje em dia, custa uns 750 euros.

O retorno do investimento seria conseguido ao fim de dois meses e pouco, para o empregado do nosso exemplo.A partir daí, durante um ou dois anos, seria só poupança de custos. Que tal, senhores financeiros? Continuam a pensar que é boa política cortar nos investimentos em ferramentas de trabalho para os trabalhadores do conhecimento?



Nota: 
Peço antecipadamente desculpa pela generalização em relação aos financeiros das empresas, que fazem um trabalho importante e absolutamente necessário. Mas a verdade é se tem vindo a observar, nos meios da gestão empresarial, uma crescente cegueira em relação aos problemas da produtividade do pessoal, que levam a cortes no investimento que só afundam ainda mais as empresas. Se este post ajudar a mudar algumas destas políticas já serviu o seu objectivo.

Editado posteriormente: clarificação e correcção de valores de poupança.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Como usar Alfresco com LibreOffice 4 via CMIS


Uma das maiores mudanças no mundo da gestão documental, nos últimos tempos, foi a criação de um standard de interoperabilidade - o CMIS.

Este standard homogeneíza o interface dos sistemas de gestão de conteúdos através da definição de uma série de webservices que todos os produtos devem implementar.

Muito inspirado no Sharepoint Protocol, tornado público por pressão da União Europeia sobre a Microsoft, o CMIS é, hoje em dia implementado por praticamente todos os produtos avançados de gestão de conteúdos.

A release 4 do LibreOffice permite, a partir de agora, usar um qualquer repositório documental CMIS para a gestão avançada de documentos.

As imagens seguintes mostram como se pode usar o LibreOffice 4 com um repositório Alfresco através dos serviços CMIS.

1. Activar as caixas de diálogo LO4 em vez das nativas, para a abertura de ficheiros

Isto é necessário para se poder aceder a localizações CMIS, normalmente não suportadas pelo sistema operativo.



2. Ao "Abrir" o ficheiro, usar o botão "..." para definir uma nova localização CMIS


3. Preencher os dados do servidor/serviço CMIS


4. Navegar no repositório e abrir o ficheiro pretendido



Os repositórios CMIS podem ser usados, assim, como se fossem pastas normais. No entanto, o LibreOffice sabe que o CMIS tem funcionalidades adicionais, pelo que permite, por exemplo, fazer check-out/check-in dos documentos e manipular as suas versões.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Libre Office 4 disponível para download

Já saiu o LibreOffice 4 - "A suite de escritório livre que a comunidade sonha há doze anos".

Não percam tempo. Agarrem já a vossa cópia antes que esgote. E não se esqueçam de mandar uma doação, por pequena que seja. O mundo precisa de projectos assim.


Provavelmente uma das maiores novidades do LO4 é a integração com servidores que suportam CMIS. Com esta funcionalidade o LO4 passa a concorrer directamente com a integração do MS-Office com Sharepoint, com a vantagem de poder usar uma grande variedade de servidores de gestão de conteúdos, como o Alfresco, o Nuxeo ou mesmo o Sharepoint.

Outro dos destaques nas novidades do LO4 é a possibilidade de usar o sistema de temas do Firefox para mudar o aspecto das aplicações. Mariquices, dirão alguns. Mas assim se ganham utilizadores menos tecnófilos.

Muito importante também é a possibilidade de editar documentos do Visio e do Publisher, que muita falta fazia. A interoperabilidade com ficheiros RTF e DOCX foi também substancialmente melhorada.

Uma lista de melhorias e mudanças pode ser encontrada aqui.

Para terminar, que tal usar o seu telefone Android como controlo remoto das apresentações Impress, com o "Impress Remote"?





segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

JavaBlackBelt: um exemplo de porquê não confiar na "cloud"

John Rizzo, criador do JavaBlackbelt, enviou um e-mail a anunciar o fim definitivo deste serviço alojado na cloud.

O JavaBlackBelt foi durante vários anos uma pedrada no charco da formação profissional, apresentando um modelo inovador de certificação de competências que se baseava na construção colaborativa de cursos e exames e na certificação online. Tendo começado pelo mundo da programação em Java, o modelo tinha sido recentemente alargado a outras áreas de conhecimento. Estava a ser tão bem sucedido que uma companhia designada Skillsoft acabou por comprar os direitos e fechar o serviço.

No JavaBlackBelt, cada novo membro começava com zero knowledge points e zero contribution points. "Knowledge points" eram ganhos passando nos exames. "Contribution points" podiam ser ganhos de várias formas, contribuindo para a comunidade com novas questões ou criando objectivos para exames a criar. Em função do seu progresso, o membro era recompensado com um "cinturão", à semelhança das artes marciais (branco, amarelo, laranja, verde, azul, castanho, negro). [paragrágrafo adap. wikipedia]

Este é um exemplo de um dos maiores perigos da cloud: a dependência do fornecedor. A cloud é o regresso do modelo do software proprietário, mas em dobro: não só não temos acesso ao nosso software como também não temos acesso aos nossos dados nem à infraestrutura em que a solução corre. De um momento para o outro, com este caso exemplifica de forma clamorosa, tudo desaparece.







quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

PT.JUG muda de casa





 O Grupo Português de Utilizadores de Java mudou o seu website para um novo URL:


A mudança prende-se com a a política de gestão da marca Java por parte da Oracle, que é diferente da usada pela Sun. O URL antigo ficará disponível por mais algum tempo para fazer o reencaminhamento.

Para além do novo URL, o website passa a ser alojado em Wordpress, abandonamdo-se o Drupal.

Já agora, para quem não está a par, alerta-se para o facto de o 10º Encontro do PT.JUG estar marcado para o próximo dia 24, pelas 18:30, em Lisboa, no auditório B103 do edifício ISCTE II.

A inscrição pode ser feita através do JUG Events ou do Lanyrd.

A agenda do Encontro é a seguinte:
  • 18h30 – Boas vindas e temas livres
  • 19h00 – Metrics: performance monitoring or business value optimization? - João Nelas
  • 19h50 – Intervalo
  • 20h00 – Aumentar a Produção e Qualidade no Desenvolvimento de Aplicações Web - Paulo Gaspar
  • 21h00 – Jantar e convívio

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Base de Dados da Ruína

Há umas semanas, Paul Ohm deixava na Harvard Business Review um apelo às empresas para que não construíssem a "Base de Dados da Ruína". As grandes empresas, no seu esforço de competição, acumulam cada vez mais dados sobre os indivíduos. Dados que compilam dos seus serviços ou que adquirem a quem os tem para vender. Neste esforço, todos os dados parecem importantes e necessários, mas a verdade é que aumenta o risco de virem a ser divulgados factos embaraçosos ou que que as pessoas queriam manter em segredo. Chegado a certo ponto, a divulgação ou uso dos factos acumulados numa dessas bases de dados podem causar muito mal à pessoa, daí a designação de "Base de Dados da Ruína".

Vem isto a propósito do Decreto-Lei  198/2012 de 24 de Agosto, que estabelece a obrigatoriedade de todas as empresas nacionais entregarem mensalmente a lista detalhada de todas as facturas que emitiram a cada um dos seus clientes.

O actual ministro das finanças é um homem com pouca experiência prática, sabemos bem. Há quem diga que, para tamanha inexperiência, poder a mais pode ser fatal - o síndrome de aprendiz de feiticeiro, e coisas assim. A forma como ele tem vindo a lidar com diversos dossiers do ministério, demonstra bem como pode ser perigoso tanto poder em mãos inexperientes, principalmente quando se acrescenta à equação o factor arrogância.

O Decreto-Lei 198/2012 implica a construção de uma base de dados que nunca devia existir.

Este Decreto-Lei obriga o Ministério das Finanças a armazenar informaticamente registos detalhados de todos os negócios feitos por todas as empresas portuguesas, independentemente de merecerem ou não investigação por parte do fisco.

Para as empresas que gostam de jogar sujo, esta base de dados terá um valor inestimável. Com alguns euros por baixo de uma qualquer mesa poderão conseguir facilmente a lista de clientes de qualquer concorrente. Basta conhecer alguém nas finanças, que esteja atrapalhado de dinheiro (qualquer um) e que tenha perdido a vergonha (uma minoria, certamente, mas fácil de encontrar). Não só será fácil obter a lista de clientes como será perfeitamente viável obter a lista de produtos e serviços vendidos.

Imaginemos uma situação: a empresa B, qua factura dezenas de milhões por ano, está a passar dificuldades por causa da conjuntura económica. Um dos seus directores, à procura de subir na carreira, decide tomar a iniciativa: conhece alguém no ministérios da finanças, alguém com acesso aos dados de facturação de qualquer empresa. Escolhe 3 ou 4 médios concorrentes e a troco de umas centenas de euros, consegue vários megabytes de informação sobre os seus negócios. Com esta informação, em conjunto com o departamento comercial, estabelece uma estratégia de dumping de preços junto dos clientes dos seus concorrentes. Não é preciso muito: basta cortar 20% nos preços dos concorrentes, dar-lhes cabo da margem, e levá-los à falência um por um. No negócio da empresa B, este dumping nem se nota. São "descontos comerciais" e os vendedores nem sequer sabem porque é que o director trata aqueles clientes de forma especial.

O que é que o ministro das finanças ganhou com isto? Ao contrário do que ele costuma fazer com os empresários, não vamos assumir que ele está a fazer isto de propósito para ter ganhos pessoais. Assumamos apenas que o ministro quer ter o poder de saber, em qualquer altura, o que anda uma empresa a fazer. Quer poder cruzar os dados dessa empresa com os dados de outras e ver se não há falcatruas.

Os fins justificam os meios?

Por mais justo que seja procurar combater a fraude fiscal, não se pode atropelar o direito ao sigilo comercial nem pôr em risco, desnecessariamente, milhares de empresas sujeitas à concorrência desleal de corporações corruptas e corruptoras.

Os fins não justificam os meios.

Os prejuízos que potencialmente se causarão às empresas são muito superiores aos ganhos potenciais obtidos para o Estado. Porque, recorde-se: o Estado já possui mecanismos (através do SAFT-PT) para auditar de forma expedita qualquer empresa. Com este Decreto-Lei o ministro institucionaliza a devassa, absolutamente desnecessária e altamente prejudicial.

Este Decreto-Lei deveria ser revogado, e o nosso ministro das finanças devia sair da sua zona de conforto para começar a trabalhar com mais respeito por quem lhe paga o vencimento todos os meses.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Google Web Toolkit - Morto ou nem por isso?

Acabou de sair o relatório do inquérito "Future of GWT" organizado pelo GWT Steering Committee.

Algumas estatísticas:
  • 79% dos developers constroem aplicações para negócio
  • A equipa típica tem 12 pessoas
  • A comunidade é mais activa na Europa
  • 46% das aplicações têm mais de 20 écrans
  • Embora praticamente todas as aplicações suportem desktop, mais de um terço suporta já tablets
  • Mais de 60% dos developers consideram-se "muito" ou "extremamente" produtivos com GWT
  • As principais razões para usar GWT são: compatibilidade cross-browser, rapidez em runtime, modularidade, ferramentas de desenvolvimento existentes e facilidade de descobrir e resolver bugs
  • Alguns developers estão em vias de escolher novas plataformas para os seus projectos seguintes; maioritariamente vão optar por Javascript+REST
  • No entanto, 88% dos developers que usam GWT escolhem GWT para o seu próximo projecto
Podem pedir a vossa cópia do relatório aqui.

A equipa típica de desenvolvimento

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Conferência Gestão Documental na Administração Pública

Conferência
Gestão Documental
na Administração Pública

6 de Dezembro 2012 - 14:00
Torre do Tombo
Alameda Universidade 1649-010
Organização: APDSI - Coordenação: Eng.º Rafael António

Ninguém duvida que a Administração Pública é sem dúvida o sistema de qualquer país que está mais associado aos recursos de informação e que exige maior rigor e competência na sua gestão, pois a sua atividade está toda ela impregnada de formulários, cadastros, processos e regras de negócio, cadeias de decisão, representações simbólicas de pessoas, empresas, território, veículos, etc., que constituem um fluxo perpétuo de recursos vitais ao funcionamento e à sobrevivência das suas instituições.

A gestão documental na Administração Pública é uma das formas de responder aos desafios colocados com a necessidade de aceleração e transparência dos processos decisórios. Estes, correspondem genericamente a qualquer representação de atos, factos ou informações — e qualquer compilação destes — na posse dos organismos públicos, seja qual for o seu meio (papel, suporte electrónico, registo sonoro, visual ou audiovisual), mas só através de uma gestão do seu ciclo de vida se conseguirá manter a necessária autenticidade, fidedignidade e integridade.
Estas serão algumas das preocupações da Conferência da APDSI sobre “Gestão Documental na Administração Pública”

INSCRIÇÕES
Inscrição gratuita mas obrigatória
E-mail: secretariado@apdsi.pt
Tel.: +351 217 510 762
Fax: +351 217 570 516
URL: www.apdsi.pt


PROGRAMA
13:30 Receção dos participantes

14:00 Sessão de Abertura
APDSI – Prof. José Dias Coelho
Dr. Silvestre de Almeida Lacerda – Subdiretor Geral da DGLAB

14:15 Por uma Administração Pública mais Eficaz e Inteligente
Dr. Luis Vidigal | Direção APDSI

14:45 A Gestão Documental na Administração Pública
Eng.ª Maria João Marques | Gestora de Projeto AMA

15:15 A Interoperabilidade e a Macroestrutura Funcional da Administração Central do Estado
Dr. Pedro Penteado | Diretor do Projeto de Desenvolvimento da MEF

15:45 Pausa para café

16:15 A Gestão Documental nos Serviços Partilhados
Dr. Afonso Silva | Presidente da ESPAP

EXPERIÊNCIAS E CASOS PRÁTICOS

16:45 O Caso da Polícia Judiciária
Dr.ª Luisa Proença | Chefe de Área de Projetos, Inovação e Conhecimento da PJ

17:05 O Caso do Estado Maior do Exército
Nome a Designar | Estado Maior do Exército

17:25 Enterprise Content Management – No Caminho da Mudança e da Modernização Administrativa
Dr.ª Conceição Isaac | Head of ECM, Fujitsu

17:45 Apresentação do Livro “Gestão Documental na Perspetiva do MoReq2010” da autoria do Eng.º Rafael António

18:15 Encerramento

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

The Code Monkey Song






Code Monkey get up get coffee
Code Monkey go to job
Code Monkey have boring meeting
With boring manager Rob
Rob say Code Monkey very diligent
But his output stink
His code not "functional" or "elegant"
What do Code Monkey think?
Code Monkey think maybe manager want to write god damned login page himself
Code Monkey not say it out loud
Code Monkey not crazy, just proud

Code Monkey like Fritos
Code Monkey like Tab and Mountain Dew
Code Monkey very simple man
With big warm fuzzy secret heart:
Code Monkey like you
Code Monkey like you

Code Monkey hang around at front desk
Tell you sweater look nice
Code Monkey offer buy you soda
Bring you cup, bring you ice
You say no thank you for the soda cause
Soda make you fat
Anyway you busy with the telephone
No time for chat
Code Monkey have long walk back to cubicle he sit down pretend to work
Code Monkey not thinking so straight
Code Monkey not feeling so great

Code Monkey like Fritos
Code Monkey like Tab and Mountain Dew
Code Monkey very simple man
With big warm fuzzy secret heart:
Code Monkey like you
Code Monkey like you a lot

Code Monkey have every reason
To get out this place
Code Monkey just keep on working
See your soft pretty face
Much rather wake up, eat a coffee cake
Take bath, take nap
This job "fulfilling in creative way"
Such a load of crap
Code Monkey think someday he have everything even pretty girl like you
Code Monkey just waiting for now
Code Monkey say someday, somehow

Code Monkey like Fritos
Code Monkey like Tab and Mountain Dew
Code Monkey very simple man
With big warm fuzzy secret heart:
Code Monkey like you
Code Monkey like you 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estratégia: Tecnologia e Agricultura

Técnicos e Agricultores

Isto poderia ser um comentário ao belo post do Fernandez, mas vai em separado pois toca em mais qualquer coisa, mas o do Fernandez fez uma óptimo abertura!

Podemos talvez ver as coisas por um ângulo um pouco diferente, e porque não uma conciliação das 2 coisas? Tipo terceira alternativa aos estilo do Covey. Livro recomendado a todos, mesmo técnicos e agricultores.

Dou um exemplo pessoal, mas penso que não é único pelas conversas com os colegas do MEIC. Eu sempre tive o bichinho da electrónica, faço projectos, consultoria, dou aulas, contínuo a estudar à noite, etc..., sempre há volta dos Sistemas de Informação, quer mais numa componente técnica como de gestão. Aqui, profissionalmente estou inserido no grupo dos Técnicos

Por outro lado passo os fins de semana a cuidar de um pomar com laranjeiras, macieiras, pessegueiros, nespereiras, ameixeiras, marmeleiros, também com oliveiras, vinha, etc..., enfim um ginásio mais barato mas com produtividade alimentar, aqui agora pertenço ao grupo dos Agricultores.

Para tecnológico o problema é que a cobertura 3G da Vodafone é uma miséria por lá, arredores de Coruche, mas o GPRs de vez em quando lá dá para ver o email. Só me safo quando meu filhote, bom fez há pouco 18 anos a está a terminar o 12.º ano, curso profissional de Mecatrónica, numa escola onde também andei e na altura era uma escola industrial de muito prestigio, mas agora vejam só o que se passa por lá.



Mas como tenho a impressão que ele nunca vai deixar de ser aquele traquina de 3 ou 4 anos que andava sempre a esconder-se, bem eles crescem e temos de nos adaptar, qualquer dia aparece ai um neto... como ia dizendo, quando ele leva e pen 3G da Optimus (atenção, do e-escolas) então a coisa muda e lá conseguimos surfar na Net, nem sempre mas vai dando pois também há que ter tempo para cuidar das árvores.


Ensino e Cursos Profissionais

Já que falamos de cursos profissionais, algo que faz mesmo muita falta ao nosso país, apesar de não ser o único Cancro no ensino e não ser exclusivo de Portugal. Como exemplo temos cursos profissionais que apostam 2 anos em VB.NET e umas parcas 30 ou 60 horas com C e Java, por muito investimento que se faça assim em vez de se adequar os curricula às reais necessidades do mercado, mesmo antevendo alguma antecipação tecnológica, então é que não vamos mesmo lá!

Porquê? Bom, é que o VB.NET representa menos de 1% dos projectos do mercado, enquanto o C e o Java alternam sempre entre 1.º e 2.º lugar, à volta dos 16 ou 18%, e é assim já há uns bons anos.

Para os Sr.s do Ministério da Educação, então não conhecem o índice TIOBE:
Sobre a vida de Programador
. Só o índice TIOBE 

E como podemos ver pelos livros, que recomendo vivamente, do agora Ministro da Educação:
Desastre no Ensino da Matemática (com a contribuição do pai de um amigo do meu filhote)
. O Eduquês 

Se não for ele a dar a volta ao ensino, não sei quem o possa fazer!

Já estamos a voltar à batata quente.


A Porca e os Bacorinhos

Por outro lado, não me parece que o actual governo pretenda uma coisa em vez da outra, nem diminuir o investimento em I&D na área das tecnologias, mas sobre os Sr.s Políticos (parece-me que este governo tem pouco políticos, o que já fazia falta há muito tempo!).




Mas não somos ingleses, apesar de termos com eles a mais antiga aliança diplomática a nível mundial, desde 1373, pelo que talvez seja bom eu explicar um pouco melhor o porquê da adequação da imagem aos "políticos" portugueses.

Deve ter sido lapso quando os ordenados dos nosso deputados foram reduzidos em 5%,  pensei que eles estavam a começar a falar a sério e a fazer alguma coisa realmente importante por Portugal, mas vi logo que me tinha enganado pois não era lapso e ficávamos só pelos 5%, é que eles enganaram-se mesmo, pois esqueceram-se do "0" (zero), devia ter sido 50%!

Podemos acrescentar que os Sr.s Deputados não têm corte nos subsídios, aqui o de natal e o de férias, nem numa série de empresas de capitais públicos, só apertam o cinto alguns funcionários públicos e os reformados. Gostei que o actual governo tivesse menos políticos e mais gestores com fibra, mas esta não compreendi, uns são filhos da mãe e outros filhos da p...

Mas e então o porquê dos 50%? Não estarei eu eventualmente enganado? Reduzir os "parcos" ordenados dos nossos queridos deputados em 50%, coitadinhos deles? É melhor não falarmos nas benesses...

É que nós os portugueses, e eu tenho muito orgulho em ser português, mas respeito as outras nacionalidades sem excepção, nem penso que os portugueses sejam melhores do que os outros nem piores, penso é que como em tudo simplesmente há uns que são melhores do que outros, e a nacionalidade aí pouco tem a ver com a coisa, nós os Portugueses é que esquecemos as coisas muito depressa, temos memória curta.

Então os Sr.s Deputados esqueceram-se da primeira coisa que fizeram a seguir ao 25 de Abril?

Simplesmente aumentaram os seus ordenados em 50%! Lembram-se agora? Aqui tiro o chapéu ao General Ramalho Eanes que também foi colocado na lista (até parecia mal Sr.s Deputados, não era?) mas que recusou dando um excelente exemplo que não foi seguido por mais ninguém (pelo menos que eu saiba), ai os bacorinhos sempre a mamar nas tetas da porca...



Contas de Merceeiro à Dívida de Portugal

Fala-se muito, e tirando as intervenções de Medina Carreira e Camilo Lourenço, dos outros quase não se percebe nada, assim aqui vai umas contas à merceeiro (dá para todos entenderem).

1) Quando o anterior governo teve a sua primeira maioria, tinham decorridos cerca de 30 anos de regime aparentemente democrático.

2) A dívida era na altura cerca de 30 mil milhões de euros. 

3) O que dava uma dívida média de 30 mil milhões / 30 = mil milhões, ou seja por cada ano de governo criou-se uma dívida média de mil milhões de euros.

4) Quando o anterior governo perdeu as eleições por muita tristeza de uma enxurrada de portugueses, depois da sua segunda maioria e 6 anos de desgovernação, a dívida era superior a 200 mil milhões e sem contar com a dívida resultante de contratos a 40 anos e mais das Parcerias Publico Privadas. 

Temos assim:
200 mil milhões / 6 = 33,3 mil milhões, ou se quisermos ser bonzinhos e arredondar para baixo, ficamos só pelos 30 mil milhões de dívida por ano, sim por ano!

Resumindo, o que se passou nesses 6 anos em que fomos (in)governados pelo ilustre frequentador daquela quinta da praia das Maçãs?

Simplesmente o tal senhor, assídua visita da quinta de muros altos,  conseguiu a proeza incrível de em média por cada ano de governo criar uma dívida igual (mas realmente superior) à criada nos últimos 30 anos de governação, é obra! Penso que é mais um recorde para Portugal e único no mundo!

E então Sr.s Deputados onde estavam vocês? Distraídos e a gozar das benesses principescas e dos subsídios? É que quem fiscaliza as acções dos governos são os Sr.s Deputados, lembram-se? Não viram nada, nem uma moção de censura? 

Recebem o vosso ordenado para quê? Navegar em sites manhosos nos portáteis em vez de orientarem bem o País no parlamento, sabem é para isso que o povo vos dá as condições que têm, mas quem dá também pode tirar.

Também veio o Presidente da Assembleia da Republica dizer que não se governava com os 1.500 contos/mês que recebia, e agora o nosso Presidente da Republica a queixar-se de não receber ordenado e a sua reforma fica só pelos míseros 5.000€ (1.000 contos) por mês, isto é mesmo à bacorinho que não quer deixar as tetas da porca!

Obrigado portugueses por terem dado duas maiorias a quem nos enterrou completamente e que agora já nem anda por cá, virou-nos as costas e deve ter trocado a  praia das Maçãs pelas margens do Sena... 

Mas não nos vamos desviar e voltemos à porca e aos bacorinhos.

Quanto à oposição, do governo que assinou o acordo com a Troica, temos 2 grupos que são o máximo, quer os Sr.s do Bloco de Esquerda quer os Sr.s Comunistas, quanto aos Sr.s do Bloco de Esquerda foram severamente penalizados na eleições que se seguiram, então Sr. Louçã não retirou as consequências políticas da coisa? Já se devia ter posto milhas e dar oportunidade a outro, não é assim que ele anda sempre a sugerir para os outros fazerem? Já percebi, é que arrecadar mais uns subsídios que agora são só para alguns, é que está a dar.

Mas nada como ir ajudar os pobres dos gregos, para inverter a situação, só que também se esqueceu que a Grécia está sempre entre os 30 países mais ricos do mundo, nada como ajudar uns ricos para ganhar algum por fora, a porca dá mesmo para todos os bacorinhos.

Quanto aos Sr.s Comunistas até tiveram mais votos, muito bem, mas o que não explicam é qual a solução alternativa à Troica, convém relembrar que na altura do acordo do memorando Portugal tinha dinheiro para pouco mais de 3 semanas, estávamos completamente na banca rota devido ao senhor agora das margens do Sena e dos nossos queridos Sr.s Deputados.   

Eventualmente a solução destes senhores, atenção que não têm corte nos subsídios, era os Portugueses passarem a ir à casa de banho, guardar um pouco e comer ao almoço e ao jantar.

Se não era esta, que digam abertamente qual é? Mas contribuam também como a maioria dos Portugueses, devolvam os salários a mais que recebem e os subsídios.


Quando aos Agricultores eles têm umas forquilhas e umas foices bem jeitosas, era uma cá uma limpeza.

Mas então Carlos, tu também não é português? Sim, certo! e com muito orgulho (já o tinha afirmado antes), mas não voto há mais de 20 anos porque perdi a estima pela porca e os bacorinhos. No mínimo sou coerente.

Já se viu que para os Sr. Políticos e Deputados somos filhos de senhoras diferentes, apesar da nossa constituição e vivermos sobre um regime aparentemente democrático.


Soluções Realistas mas Simples e Eficazes

Podemos também ter uma solução que permite os bacorinhos continuem a mamar na porca e haver empregos para todos. Como?

1.  Basta acabar com os subsídios a fundo perdido - quem recebe tem de pagar mais tarde ou mais cedo, o dinheiro assim nunca desaparece.

2. Passar o horário de trabalho para 25 horas semanais, assim temos de empregar mais cerca de metade da população activa que ronda os 4 milhões, o que originaria emprego para 2 milhões em que 1 milhão já recebe subsídio de desemprego mas não contribui para a produtividade do país.

3. O subsídio de desemprego era convertido para salário social e só recebia quem trabalha-se, nem que trabalhasse de manhã e estudasse de tarde, ou trabalhar de dia e estudar de noite como faço eu e muitos portugueses e portuguesas, tudo gerido por um IEFP eficaz.

4. Deixavam de ser necessários os sindicatos, e o despedimento era à lá EUA, o patrão não gosta então despede imediatamente, a pessoa despedida tinha emprego no dia seguinte, tudo gerido por um IEFP eficaz.

5. Os custos totais mantinham-se, o custo actual com a população activa mas que passava a trabalhar menos, para os que recebem subsídio de desemprego pudessem ir trabalhar, quanto aos cerca de 1 milhão que só recebe rendimentos mínimos teriam também de ir trabalhar, só não trabalhava quem não pudesse, quanto à idade de reforma podia baixar por haver mais mão de obra, talvez para os 60/55 anos.

Isto tinha a vantagem acrescida de eliminar muitos processos nos tribunais, e os Advogados e tribunais passavam realmente a tratar de coisas importantes, como a corrupção e fraude fiscal, quanto aos Sr.s dos Sindicatos teriam mesmo era de irem trabalhar.

Ai os bacorinhos a verem a mama a desaparecer...
  
Quanto a mim volto a votar quando os Sr.s Deputados corrigirem o seu salário que está aumentado em 50% deste 1974 (seria uma óptima ajuda nestes tempos de crise!), e passar a haver responsabilização criminal para os mesmos em consequência de gestão danosa dos dinheiros públicos.

Num cenário absurdo, se todos fizessem como eu não votando, penso que os bacorinhos deixavam de mamar, nem que fosse momentaneamente. Está claro que o nosso modelo democrático está esgotado, mas vai permitindo os bacorinhos continuarem a mamar...

Não acredito que se fossem as mulheres a mandar as coisas chegassem a este nível, é mesmo obrigatório que os cargos políticos sejam em paridade de género, com bichas e tudo, nada de discriminações, mas paridade para termos mais mulheres na política e quanto aos cargos governamentais também paridade. É que os bacorinhos já oprimiram durante demasiados séculos as mulheres, apesar de já ser tarde temos de lhes dar essa oportunidade, e mulheres cheguem-se à frente deixem de ser tímidas!

Se calhar vou acabar os meus dias por lá, no pomar, quando houver Internet aceitável e sempre a tratar da terra para manter o físico e a sanidade mental, e sempre é mais barato que os ginásios, e quem sabe rodeado de netos. Vou tentado manter a vontade de voltar a votar, a esperança é a última coisa a morrer, mas vou mantendo afiadas as forquilhas e as foices nunca se sabe se vão realmente ser precisas para outras coisas, e se passar por lá um bacorinho sempre fico com leitão para a janta.

Viva à terceira alternativa, aos tecnológicos e aos agricultores!




terça-feira, 12 de junho de 2012

Estratégia: Tecnologia versus Agricultura

O actual governo parece ter decidido que a nossa agricultura é prioritátia. Aparentemente, as hordas de jovens desempregados devem regressar aos campos de onde os seus avós saíram cheios de fome à procura de emprego na cidade. O facto de a mecanização ter reduzido ainda mais o valor do trabalho agrícola desde então é, nesta estratégia, ignorado.

Portugal, nos últimos anos, tem feito um forte investimento no aumento de competências da sua população. Há um par de anos conseguiu-se, para surpresa de muitos, equilibrar a balança de pagamentos tecnológica - exportámos tanta tecnologia como importámos. A ciência e a tecnologia são e serão a base de todo o desenvolvimento da Humanidade. As empresas tecnológicas portuguesas, apostando na internacionalização, precisam de recursos competentes e em boa quantidade. Apesar disso, os cursos profissionais tecnológicos são abandonados por este governo, cuja prioridade passa a ser a agricultura, a caça e a pesca. E os bons cursos universitários, sem apoio do Estado, terão tendência a desaparecer ou voltar a ser exclusivos para as elites bem nascidas. O que só poderá trazer um resultado: o aumento da dependência tecnológica do País.

Os actuais governantes portugueses deviam ler um livrinho chamado "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico", publicado em 1945, escrito por um grande cientista português: Orlando Ribeiro. Neste livro, o eminente geógrafo explica grande parte dos motivos da nossa cultura humilde e pouco ambiciosa. É que o principal factor para o português se contentar com pouco é ambiental. Portugal, apesar de estar voltado para o Atlântico, sofre dos constrangimentos ambientais de todo o Mediterrâneo: solos pouco produtivos, pouca água, pouca fauna. Ao sugerir que os jovens portugueses devem voltar "à terra", abandonando a ciência e a tecnologia, o governo propõe que a economia Portuguesa volte a estar dependente dos nossos parcos recursos ambientais.

É certo que programas como o "Novas Oportunidades" estavam cheios de falhas graves na sua implementação. O principal problema sempre foi a confusão (conveniente) entre certificação e competências. Ao dar o 12º ano a pessoas que não aprenderam o mínimo estamos apenas a trabalhar para as estatísticas da OCDE. Isto é, simplesmente, publicidade enganosa ao País. Sem procurar qualquer justificação, devemos no entanto recordar que o "Novas Oportunidades" era pôr em prática, ao nível governamental, aquilo que já muitas universidades privadas faziam há anos, vendendo canudos sem qualquer valor.

Erros como a implementação do "Novas Oportunidades", no entanto, não nos devem afastar do desígnio de aumento de qualificação dos portugueses. A única forma de nos libertarmos da nossa dependência é através do aumento de competências da população em geral. É preciso dinamizar as Pescas e a Agricultura, sim, mas não podemos abandonar o caminho da Ciência e Tecnologia.

Não haverá qualquer hipótese de sermos bem sucedidos em qualquer campo, sem aumentarmos o investimento do Estado na Educação e na Investigação Científica e Tecnológica.

Por mais difícil que esteja a vida nas nossas cidades, não tenhamos ilusões. O regresso ao campo não é solução para a grande maioria dos desempregados. A solução é a procura de competências de valor, a flexibilidade no nosso trabalho e a internacionalização das nossas empresas.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Dart - uma nova Linguagem Web que vem do Google


Aqui o "informático" divertiu-se este fim-de-semana mais o Tony e o Francisco (todos do ISEL, mas foi coincidência), ganhámos o Dart Hackathon Lisboa, com um jogo, simples mas multi-utilizador, feito em Dart.

O nosso jogo vencedor - DartMan .

Mais info sobre Dart .

"Aldrabões" há em todas as profissões, não me parece que seja exclusivo dos informáticos.

Viva os Informáticos honestos!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

"Não posso com esse gajo! É informático!... E é aldrabão!"




Conversa de café ouvida há pouco:
 "Não posso com esse gajo! É informático!... E é aldrabão!"
Realmente, ser aldrabão é mau. Mas ser, ao mesmo tempo, informático... é mesmo do pior.

É curioso como "informático" se tornou num adjectivo pejorativo.

:-D

segunda-feira, 16 de abril de 2012

8º encontro PT.JUG

É já na próxima quarta-feira. Pela primeira vez em Coimbra.

JUG Events - 8º encontro PT.JUG

O encontro ocorrerá no próximo dia 18 de Abril, Quarta-Feira, e conta com os oradores Mircea Markus e Sanne Grinovero da JBoss / Redhat.
Agenda ( mais ):
  • 17h00 – Welcome and registration
  • 17h30 – Introducing Infinispan
  • 18h30 – Using JPA applications in the era of NoSQL: Introducing Hibernate OGM
  • 19h30 – Networking and Dinner
Como já vem sendo habitual, todos estão convidados para um jantar que acontecerá depois do evento.

Para quem chega de fora, é fácil encontrar o local.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Expresso: Site do Governo em baixo há vários dias

Segundo notícia do Expresso, o site do Governo está em baixo há vários dias e também está sem email.

Afinal os cortes nos orçamentos da informática talvez tenham sido precipitados. Não? ;-)