quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Base de Dados da Ruína

Há umas semanas, Paul Ohm deixava na Harvard Business Review um apelo às empresas para que não construíssem a "Base de Dados da Ruína". As grandes empresas, no seu esforço de competição, acumulam cada vez mais dados sobre os indivíduos. Dados que compilam dos seus serviços ou que adquirem a quem os tem para vender. Neste esforço, todos os dados parecem importantes e necessários, mas a verdade é que aumenta o risco de virem a ser divulgados factos embaraçosos ou que que as pessoas queriam manter em segredo. Chegado a certo ponto, a divulgação ou uso dos factos acumulados numa dessas bases de dados podem causar muito mal à pessoa, daí a designação de "Base de Dados da Ruína".

Vem isto a propósito do Decreto-Lei  198/2012 de 24 de Agosto, que estabelece a obrigatoriedade de todas as empresas nacionais entregarem mensalmente a lista detalhada de todas as facturas que emitiram a cada um dos seus clientes.

O actual ministro das finanças é um homem com pouca experiência prática, sabemos bem. Há quem diga que, para tamanha inexperiência, poder a mais pode ser fatal - o síndrome de aprendiz de feiticeiro, e coisas assim. A forma como ele tem vindo a lidar com diversos dossiers do ministério, demonstra bem como pode ser perigoso tanto poder em mãos inexperientes, principalmente quando se acrescenta à equação o factor arrogância.

O Decreto-Lei 198/2012 implica a construção de uma base de dados que nunca devia existir.

Este Decreto-Lei obriga o Ministério das Finanças a armazenar informaticamente registos detalhados de todos os negócios feitos por todas as empresas portuguesas, independentemente de merecerem ou não investigação por parte do fisco.

Para as empresas que gostam de jogar sujo, esta base de dados terá um valor inestimável. Com alguns euros por baixo de uma qualquer mesa poderão conseguir facilmente a lista de clientes de qualquer concorrente. Basta conhecer alguém nas finanças, que esteja atrapalhado de dinheiro (qualquer um) e que tenha perdido a vergonha (uma minoria, certamente, mas fácil de encontrar). Não só será fácil obter a lista de clientes como será perfeitamente viável obter a lista de produtos e serviços vendidos.

Imaginemos uma situação: a empresa B, qua factura dezenas de milhões por ano, está a passar dificuldades por causa da conjuntura económica. Um dos seus directores, à procura de subir na carreira, decide tomar a iniciativa: conhece alguém no ministérios da finanças, alguém com acesso aos dados de facturação de qualquer empresa. Escolhe 3 ou 4 médios concorrentes e a troco de umas centenas de euros, consegue vários megabytes de informação sobre os seus negócios. Com esta informação, em conjunto com o departamento comercial, estabelece uma estratégia de dumping de preços junto dos clientes dos seus concorrentes. Não é preciso muito: basta cortar 20% nos preços dos concorrentes, dar-lhes cabo da margem, e levá-los à falência um por um. No negócio da empresa B, este dumping nem se nota. São "descontos comerciais" e os vendedores nem sequer sabem porque é que o director trata aqueles clientes de forma especial.

O que é que o ministro das finanças ganhou com isto? Ao contrário do que ele costuma fazer com os empresários, não vamos assumir que ele está a fazer isto de propósito para ter ganhos pessoais. Assumamos apenas que o ministro quer ter o poder de saber, em qualquer altura, o que anda uma empresa a fazer. Quer poder cruzar os dados dessa empresa com os dados de outras e ver se não há falcatruas.

Os fins justificam os meios?

Por mais justo que seja procurar combater a fraude fiscal, não se pode atropelar o direito ao sigilo comercial nem pôr em risco, desnecessariamente, milhares de empresas sujeitas à concorrência desleal de corporações corruptas e corruptoras.

Os fins não justificam os meios.

Os prejuízos que potencialmente se causarão às empresas são muito superiores aos ganhos potenciais obtidos para o Estado. Porque, recorde-se: o Estado já possui mecanismos (através do SAFT-PT) para auditar de forma expedita qualquer empresa. Com este Decreto-Lei o ministro institucionaliza a devassa, absolutamente desnecessária e altamente prejudicial.

Este Decreto-Lei deveria ser revogado, e o nosso ministro das finanças devia sair da sua zona de conforto para começar a trabalhar com mais respeito por quem lhe paga o vencimento todos os meses.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Google Web Toolkit - Morto ou nem por isso?

Acabou de sair o relatório do inquérito "Future of GWT" organizado pelo GWT Steering Committee.

Algumas estatísticas:
  • 79% dos developers constroem aplicações para negócio
  • A equipa típica tem 12 pessoas
  • A comunidade é mais activa na Europa
  • 46% das aplicações têm mais de 20 écrans
  • Embora praticamente todas as aplicações suportem desktop, mais de um terço suporta já tablets
  • Mais de 60% dos developers consideram-se "muito" ou "extremamente" produtivos com GWT
  • As principais razões para usar GWT são: compatibilidade cross-browser, rapidez em runtime, modularidade, ferramentas de desenvolvimento existentes e facilidade de descobrir e resolver bugs
  • Alguns developers estão em vias de escolher novas plataformas para os seus projectos seguintes; maioritariamente vão optar por Javascript+REST
  • No entanto, 88% dos developers que usam GWT escolhem GWT para o seu próximo projecto
Podem pedir a vossa cópia do relatório aqui.

A equipa típica de desenvolvimento

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Conferência Gestão Documental na Administração Pública

Conferência
Gestão Documental
na Administração Pública

6 de Dezembro 2012 - 14:00
Torre do Tombo
Alameda Universidade 1649-010
Organização: APDSI - Coordenação: Eng.º Rafael António

Ninguém duvida que a Administração Pública é sem dúvida o sistema de qualquer país que está mais associado aos recursos de informação e que exige maior rigor e competência na sua gestão, pois a sua atividade está toda ela impregnada de formulários, cadastros, processos e regras de negócio, cadeias de decisão, representações simbólicas de pessoas, empresas, território, veículos, etc., que constituem um fluxo perpétuo de recursos vitais ao funcionamento e à sobrevivência das suas instituições.

A gestão documental na Administração Pública é uma das formas de responder aos desafios colocados com a necessidade de aceleração e transparência dos processos decisórios. Estes, correspondem genericamente a qualquer representação de atos, factos ou informações — e qualquer compilação destes — na posse dos organismos públicos, seja qual for o seu meio (papel, suporte electrónico, registo sonoro, visual ou audiovisual), mas só através de uma gestão do seu ciclo de vida se conseguirá manter a necessária autenticidade, fidedignidade e integridade.
Estas serão algumas das preocupações da Conferência da APDSI sobre “Gestão Documental na Administração Pública”

INSCRIÇÕES
Inscrição gratuita mas obrigatória
E-mail: secretariado@apdsi.pt
Tel.: +351 217 510 762
Fax: +351 217 570 516
URL: www.apdsi.pt


PROGRAMA
13:30 Receção dos participantes

14:00 Sessão de Abertura
APDSI – Prof. José Dias Coelho
Dr. Silvestre de Almeida Lacerda – Subdiretor Geral da DGLAB

14:15 Por uma Administração Pública mais Eficaz e Inteligente
Dr. Luis Vidigal | Direção APDSI

14:45 A Gestão Documental na Administração Pública
Eng.ª Maria João Marques | Gestora de Projeto AMA

15:15 A Interoperabilidade e a Macroestrutura Funcional da Administração Central do Estado
Dr. Pedro Penteado | Diretor do Projeto de Desenvolvimento da MEF

15:45 Pausa para café

16:15 A Gestão Documental nos Serviços Partilhados
Dr. Afonso Silva | Presidente da ESPAP

EXPERIÊNCIAS E CASOS PRÁTICOS

16:45 O Caso da Polícia Judiciária
Dr.ª Luisa Proença | Chefe de Área de Projetos, Inovação e Conhecimento da PJ

17:05 O Caso do Estado Maior do Exército
Nome a Designar | Estado Maior do Exército

17:25 Enterprise Content Management – No Caminho da Mudança e da Modernização Administrativa
Dr.ª Conceição Isaac | Head of ECM, Fujitsu

17:45 Apresentação do Livro “Gestão Documental na Perspetiva do MoReq2010” da autoria do Eng.º Rafael António

18:15 Encerramento

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

The Code Monkey Song






Code Monkey get up get coffee
Code Monkey go to job
Code Monkey have boring meeting
With boring manager Rob
Rob say Code Monkey very diligent
But his output stink
His code not "functional" or "elegant"
What do Code Monkey think?
Code Monkey think maybe manager want to write god damned login page himself
Code Monkey not say it out loud
Code Monkey not crazy, just proud

Code Monkey like Fritos
Code Monkey like Tab and Mountain Dew
Code Monkey very simple man
With big warm fuzzy secret heart:
Code Monkey like you
Code Monkey like you

Code Monkey hang around at front desk
Tell you sweater look nice
Code Monkey offer buy you soda
Bring you cup, bring you ice
You say no thank you for the soda cause
Soda make you fat
Anyway you busy with the telephone
No time for chat
Code Monkey have long walk back to cubicle he sit down pretend to work
Code Monkey not thinking so straight
Code Monkey not feeling so great

Code Monkey like Fritos
Code Monkey like Tab and Mountain Dew
Code Monkey very simple man
With big warm fuzzy secret heart:
Code Monkey like you
Code Monkey like you a lot

Code Monkey have every reason
To get out this place
Code Monkey just keep on working
See your soft pretty face
Much rather wake up, eat a coffee cake
Take bath, take nap
This job "fulfilling in creative way"
Such a load of crap
Code Monkey think someday he have everything even pretty girl like you
Code Monkey just waiting for now
Code Monkey say someday, somehow

Code Monkey like Fritos
Code Monkey like Tab and Mountain Dew
Code Monkey very simple man
With big warm fuzzy secret heart:
Code Monkey like you
Code Monkey like you 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estratégia: Tecnologia e Agricultura

Técnicos e Agricultores

Isto poderia ser um comentário ao belo post do Fernandez, mas vai em separado pois toca em mais qualquer coisa, mas o do Fernandez fez uma óptimo abertura!

Podemos talvez ver as coisas por um ângulo um pouco diferente, e porque não uma conciliação das 2 coisas? Tipo terceira alternativa aos estilo do Covey. Livro recomendado a todos, mesmo técnicos e agricultores.

Dou um exemplo pessoal, mas penso que não é único pelas conversas com os colegas do MEIC. Eu sempre tive o bichinho da electrónica, faço projectos, consultoria, dou aulas, contínuo a estudar à noite, etc..., sempre há volta dos Sistemas de Informação, quer mais numa componente técnica como de gestão. Aqui, profissionalmente estou inserido no grupo dos Técnicos

Por outro lado passo os fins de semana a cuidar de um pomar com laranjeiras, macieiras, pessegueiros, nespereiras, ameixeiras, marmeleiros, também com oliveiras, vinha, etc..., enfim um ginásio mais barato mas com produtividade alimentar, aqui agora pertenço ao grupo dos Agricultores.

Para tecnológico o problema é que a cobertura 3G da Vodafone é uma miséria por lá, arredores de Coruche, mas o GPRs de vez em quando lá dá para ver o email. Só me safo quando meu filhote, bom fez há pouco 18 anos a está a terminar o 12.º ano, curso profissional de Mecatrónica, numa escola onde também andei e na altura era uma escola industrial de muito prestigio, mas agora vejam só o que se passa por lá.



Mas como tenho a impressão que ele nunca vai deixar de ser aquele traquina de 3 ou 4 anos que andava sempre a esconder-se, bem eles crescem e temos de nos adaptar, qualquer dia aparece ai um neto... como ia dizendo, quando ele leva e pen 3G da Optimus (atenção, do e-escolas) então a coisa muda e lá conseguimos surfar na Net, nem sempre mas vai dando pois também há que ter tempo para cuidar das árvores.


Ensino e Cursos Profissionais

Já que falamos de cursos profissionais, algo que faz mesmo muita falta ao nosso país, apesar de não ser o único Cancro no ensino e não ser exclusivo de Portugal. Como exemplo temos cursos profissionais que apostam 2 anos em VB.NET e umas parcas 30 ou 60 horas com C e Java, por muito investimento que se faça assim em vez de se adequar os curricula às reais necessidades do mercado, mesmo antevendo alguma antecipação tecnológica, então é que não vamos mesmo lá!

Porquê? Bom, é que o VB.NET representa menos de 1% dos projectos do mercado, enquanto o C e o Java alternam sempre entre 1.º e 2.º lugar, à volta dos 16 ou 18%, e é assim já há uns bons anos.

Para os Sr.s do Ministério da Educação, então não conhecem o índice TIOBE:
Sobre a vida de Programador
. Só o índice TIOBE 

E como podemos ver pelos livros, que recomendo vivamente, do agora Ministro da Educação:
Desastre no Ensino da Matemática (com a contribuição do pai de um amigo do meu filhote)
. O Eduquês 

Se não for ele a dar a volta ao ensino, não sei quem o possa fazer!

Já estamos a voltar à batata quente.


A Porca e os Bacorinhos

Por outro lado, não me parece que o actual governo pretenda uma coisa em vez da outra, nem diminuir o investimento em I&D na área das tecnologias, mas sobre os Sr.s Políticos (parece-me que este governo tem pouco políticos, o que já fazia falta há muito tempo!).




Mas não somos ingleses, apesar de termos com eles a mais antiga aliança diplomática a nível mundial, desde 1373, pelo que talvez seja bom eu explicar um pouco melhor o porquê da adequação da imagem aos "políticos" portugueses.

Deve ter sido lapso quando os ordenados dos nosso deputados foram reduzidos em 5%,  pensei que eles estavam a começar a falar a sério e a fazer alguma coisa realmente importante por Portugal, mas vi logo que me tinha enganado pois não era lapso e ficávamos só pelos 5%, é que eles enganaram-se mesmo, pois esqueceram-se do "0" (zero), devia ter sido 50%!

Podemos acrescentar que os Sr.s Deputados não têm corte nos subsídios, aqui o de natal e o de férias, nem numa série de empresas de capitais públicos, só apertam o cinto alguns funcionários públicos e os reformados. Gostei que o actual governo tivesse menos políticos e mais gestores com fibra, mas esta não compreendi, uns são filhos da mãe e outros filhos da p...

Mas e então o porquê dos 50%? Não estarei eu eventualmente enganado? Reduzir os "parcos" ordenados dos nossos queridos deputados em 50%, coitadinhos deles? É melhor não falarmos nas benesses...

É que nós os portugueses, e eu tenho muito orgulho em ser português, mas respeito as outras nacionalidades sem excepção, nem penso que os portugueses sejam melhores do que os outros nem piores, penso é que como em tudo simplesmente há uns que são melhores do que outros, e a nacionalidade aí pouco tem a ver com a coisa, nós os Portugueses é que esquecemos as coisas muito depressa, temos memória curta.

Então os Sr.s Deputados esqueceram-se da primeira coisa que fizeram a seguir ao 25 de Abril?

Simplesmente aumentaram os seus ordenados em 50%! Lembram-se agora? Aqui tiro o chapéu ao General Ramalho Eanes que também foi colocado na lista (até parecia mal Sr.s Deputados, não era?) mas que recusou dando um excelente exemplo que não foi seguido por mais ninguém (pelo menos que eu saiba), ai os bacorinhos sempre a mamar nas tetas da porca...



Contas de Merceeiro à Dívida de Portugal

Fala-se muito, e tirando as intervenções de Medina Carreira e Camilo Lourenço, dos outros quase não se percebe nada, assim aqui vai umas contas à merceeiro (dá para todos entenderem).

1) Quando o anterior governo teve a sua primeira maioria, tinham decorridos cerca de 30 anos de regime aparentemente democrático.

2) A dívida era na altura cerca de 30 mil milhões de euros. 

3) O que dava uma dívida média de 30 mil milhões / 30 = mil milhões, ou seja por cada ano de governo criou-se uma dívida média de mil milhões de euros.

4) Quando o anterior governo perdeu as eleições por muita tristeza de uma enxurrada de portugueses, depois da sua segunda maioria e 6 anos de desgovernação, a dívida era superior a 200 mil milhões e sem contar com a dívida resultante de contratos a 40 anos e mais das Parcerias Publico Privadas. 

Temos assim:
200 mil milhões / 6 = 33,3 mil milhões, ou se quisermos ser bonzinhos e arredondar para baixo, ficamos só pelos 30 mil milhões de dívida por ano, sim por ano!

Resumindo, o que se passou nesses 6 anos em que fomos (in)governados pelo ilustre frequentador daquela quinta da praia das Maçãs?

Simplesmente o tal senhor, assídua visita da quinta de muros altos,  conseguiu a proeza incrível de em média por cada ano de governo criar uma dívida igual (mas realmente superior) à criada nos últimos 30 anos de governação, é obra! Penso que é mais um recorde para Portugal e único no mundo!

E então Sr.s Deputados onde estavam vocês? Distraídos e a gozar das benesses principescas e dos subsídios? É que quem fiscaliza as acções dos governos são os Sr.s Deputados, lembram-se? Não viram nada, nem uma moção de censura? 

Recebem o vosso ordenado para quê? Navegar em sites manhosos nos portáteis em vez de orientarem bem o País no parlamento, sabem é para isso que o povo vos dá as condições que têm, mas quem dá também pode tirar.

Também veio o Presidente da Assembleia da Republica dizer que não se governava com os 1.500 contos/mês que recebia, e agora o nosso Presidente da Republica a queixar-se de não receber ordenado e a sua reforma fica só pelos míseros 5.000€ (1.000 contos) por mês, isto é mesmo à bacorinho que não quer deixar as tetas da porca!

Obrigado portugueses por terem dado duas maiorias a quem nos enterrou completamente e que agora já nem anda por cá, virou-nos as costas e deve ter trocado a  praia das Maçãs pelas margens do Sena... 

Mas não nos vamos desviar e voltemos à porca e aos bacorinhos.

Quanto à oposição, do governo que assinou o acordo com a Troica, temos 2 grupos que são o máximo, quer os Sr.s do Bloco de Esquerda quer os Sr.s Comunistas, quanto aos Sr.s do Bloco de Esquerda foram severamente penalizados na eleições que se seguiram, então Sr. Louçã não retirou as consequências políticas da coisa? Já se devia ter posto milhas e dar oportunidade a outro, não é assim que ele anda sempre a sugerir para os outros fazerem? Já percebi, é que arrecadar mais uns subsídios que agora são só para alguns, é que está a dar.

Mas nada como ir ajudar os pobres dos gregos, para inverter a situação, só que também se esqueceu que a Grécia está sempre entre os 30 países mais ricos do mundo, nada como ajudar uns ricos para ganhar algum por fora, a porca dá mesmo para todos os bacorinhos.

Quanto aos Sr.s Comunistas até tiveram mais votos, muito bem, mas o que não explicam é qual a solução alternativa à Troica, convém relembrar que na altura do acordo do memorando Portugal tinha dinheiro para pouco mais de 3 semanas, estávamos completamente na banca rota devido ao senhor agora das margens do Sena e dos nossos queridos Sr.s Deputados.   

Eventualmente a solução destes senhores, atenção que não têm corte nos subsídios, era os Portugueses passarem a ir à casa de banho, guardar um pouco e comer ao almoço e ao jantar.

Se não era esta, que digam abertamente qual é? Mas contribuam também como a maioria dos Portugueses, devolvam os salários a mais que recebem e os subsídios.


Quando aos Agricultores eles têm umas forquilhas e umas foices bem jeitosas, era uma cá uma limpeza.

Mas então Carlos, tu também não é português? Sim, certo! e com muito orgulho (já o tinha afirmado antes), mas não voto há mais de 20 anos porque perdi a estima pela porca e os bacorinhos. No mínimo sou coerente.

Já se viu que para os Sr. Políticos e Deputados somos filhos de senhoras diferentes, apesar da nossa constituição e vivermos sobre um regime aparentemente democrático.


Soluções Realistas mas Simples e Eficazes

Podemos também ter uma solução que permite os bacorinhos continuem a mamar na porca e haver empregos para todos. Como?

1.  Basta acabar com os subsídios a fundo perdido - quem recebe tem de pagar mais tarde ou mais cedo, o dinheiro assim nunca desaparece.

2. Passar o horário de trabalho para 25 horas semanais, assim temos de empregar mais cerca de metade da população activa que ronda os 4 milhões, o que originaria emprego para 2 milhões em que 1 milhão já recebe subsídio de desemprego mas não contribui para a produtividade do país.

3. O subsídio de desemprego era convertido para salário social e só recebia quem trabalha-se, nem que trabalhasse de manhã e estudasse de tarde, ou trabalhar de dia e estudar de noite como faço eu e muitos portugueses e portuguesas, tudo gerido por um IEFP eficaz.

4. Deixavam de ser necessários os sindicatos, e o despedimento era à lá EUA, o patrão não gosta então despede imediatamente, a pessoa despedida tinha emprego no dia seguinte, tudo gerido por um IEFP eficaz.

5. Os custos totais mantinham-se, o custo actual com a população activa mas que passava a trabalhar menos, para os que recebem subsídio de desemprego pudessem ir trabalhar, quanto aos cerca de 1 milhão que só recebe rendimentos mínimos teriam também de ir trabalhar, só não trabalhava quem não pudesse, quanto à idade de reforma podia baixar por haver mais mão de obra, talvez para os 60/55 anos.

Isto tinha a vantagem acrescida de eliminar muitos processos nos tribunais, e os Advogados e tribunais passavam realmente a tratar de coisas importantes, como a corrupção e fraude fiscal, quanto aos Sr.s dos Sindicatos teriam mesmo era de irem trabalhar.

Ai os bacorinhos a verem a mama a desaparecer...
  
Quanto a mim volto a votar quando os Sr.s Deputados corrigirem o seu salário que está aumentado em 50% deste 1974 (seria uma óptima ajuda nestes tempos de crise!), e passar a haver responsabilização criminal para os mesmos em consequência de gestão danosa dos dinheiros públicos.

Num cenário absurdo, se todos fizessem como eu não votando, penso que os bacorinhos deixavam de mamar, nem que fosse momentaneamente. Está claro que o nosso modelo democrático está esgotado, mas vai permitindo os bacorinhos continuarem a mamar...

Não acredito que se fossem as mulheres a mandar as coisas chegassem a este nível, é mesmo obrigatório que os cargos políticos sejam em paridade de género, com bichas e tudo, nada de discriminações, mas paridade para termos mais mulheres na política e quanto aos cargos governamentais também paridade. É que os bacorinhos já oprimiram durante demasiados séculos as mulheres, apesar de já ser tarde temos de lhes dar essa oportunidade, e mulheres cheguem-se à frente deixem de ser tímidas!

Se calhar vou acabar os meus dias por lá, no pomar, quando houver Internet aceitável e sempre a tratar da terra para manter o físico e a sanidade mental, e sempre é mais barato que os ginásios, e quem sabe rodeado de netos. Vou tentado manter a vontade de voltar a votar, a esperança é a última coisa a morrer, mas vou mantendo afiadas as forquilhas e as foices nunca se sabe se vão realmente ser precisas para outras coisas, e se passar por lá um bacorinho sempre fico com leitão para a janta.

Viva à terceira alternativa, aos tecnológicos e aos agricultores!




terça-feira, 12 de junho de 2012

Estratégia: Tecnologia versus Agricultura

O actual governo parece ter decidido que a nossa agricultura é prioritátia. Aparentemente, as hordas de jovens desempregados devem regressar aos campos de onde os seus avós saíram cheios de fome à procura de emprego na cidade. O facto de a mecanização ter reduzido ainda mais o valor do trabalho agrícola desde então é, nesta estratégia, ignorado.

Portugal, nos últimos anos, tem feito um forte investimento no aumento de competências da sua população. Há um par de anos conseguiu-se, para surpresa de muitos, equilibrar a balança de pagamentos tecnológica - exportámos tanta tecnologia como importámos. A ciência e a tecnologia são e serão a base de todo o desenvolvimento da Humanidade. As empresas tecnológicas portuguesas, apostando na internacionalização, precisam de recursos competentes e em boa quantidade. Apesar disso, os cursos profissionais tecnológicos são abandonados por este governo, cuja prioridade passa a ser a agricultura, a caça e a pesca. E os bons cursos universitários, sem apoio do Estado, terão tendência a desaparecer ou voltar a ser exclusivos para as elites bem nascidas. O que só poderá trazer um resultado: o aumento da dependência tecnológica do País.

Os actuais governantes portugueses deviam ler um livrinho chamado "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico", publicado em 1945, escrito por um grande cientista português: Orlando Ribeiro. Neste livro, o eminente geógrafo explica grande parte dos motivos da nossa cultura humilde e pouco ambiciosa. É que o principal factor para o português se contentar com pouco é ambiental. Portugal, apesar de estar voltado para o Atlântico, sofre dos constrangimentos ambientais de todo o Mediterrâneo: solos pouco produtivos, pouca água, pouca fauna. Ao sugerir que os jovens portugueses devem voltar "à terra", abandonando a ciência e a tecnologia, o governo propõe que a economia Portuguesa volte a estar dependente dos nossos parcos recursos ambientais.

É certo que programas como o "Novas Oportunidades" estavam cheios de falhas graves na sua implementação. O principal problema sempre foi a confusão (conveniente) entre certificação e competências. Ao dar o 12º ano a pessoas que não aprenderam o mínimo estamos apenas a trabalhar para as estatísticas da OCDE. Isto é, simplesmente, publicidade enganosa ao País. Sem procurar qualquer justificação, devemos no entanto recordar que o "Novas Oportunidades" era pôr em prática, ao nível governamental, aquilo que já muitas universidades privadas faziam há anos, vendendo canudos sem qualquer valor.

Erros como a implementação do "Novas Oportunidades", no entanto, não nos devem afastar do desígnio de aumento de qualificação dos portugueses. A única forma de nos libertarmos da nossa dependência é através do aumento de competências da população em geral. É preciso dinamizar as Pescas e a Agricultura, sim, mas não podemos abandonar o caminho da Ciência e Tecnologia.

Não haverá qualquer hipótese de sermos bem sucedidos em qualquer campo, sem aumentarmos o investimento do Estado na Educação e na Investigação Científica e Tecnológica.

Por mais difícil que esteja a vida nas nossas cidades, não tenhamos ilusões. O regresso ao campo não é solução para a grande maioria dos desempregados. A solução é a procura de competências de valor, a flexibilidade no nosso trabalho e a internacionalização das nossas empresas.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Dart - uma nova Linguagem Web que vem do Google


Aqui o "informático" divertiu-se este fim-de-semana mais o Tony e o Francisco (todos do ISEL, mas foi coincidência), ganhámos o Dart Hackathon Lisboa, com um jogo, simples mas multi-utilizador, feito em Dart.

O nosso jogo vencedor - DartMan .

Mais info sobre Dart .

"Aldrabões" há em todas as profissões, não me parece que seja exclusivo dos informáticos.

Viva os Informáticos honestos!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

"Não posso com esse gajo! É informático!... E é aldrabão!"




Conversa de café ouvida há pouco:
 "Não posso com esse gajo! É informático!... E é aldrabão!"
Realmente, ser aldrabão é mau. Mas ser, ao mesmo tempo, informático... é mesmo do pior.

É curioso como "informático" se tornou num adjectivo pejorativo.

:-D

segunda-feira, 16 de abril de 2012

8º encontro PT.JUG

É já na próxima quarta-feira. Pela primeira vez em Coimbra.

JUG Events - 8º encontro PT.JUG

O encontro ocorrerá no próximo dia 18 de Abril, Quarta-Feira, e conta com os oradores Mircea Markus e Sanne Grinovero da JBoss / Redhat.
Agenda ( mais ):
  • 17h00 – Welcome and registration
  • 17h30 – Introducing Infinispan
  • 18h30 – Using JPA applications in the era of NoSQL: Introducing Hibernate OGM
  • 19h30 – Networking and Dinner
Como já vem sendo habitual, todos estão convidados para um jantar que acontecerá depois do evento.

Para quem chega de fora, é fácil encontrar o local.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Expresso: Site do Governo em baixo há vários dias

Segundo notícia do Expresso, o site do Governo está em baixo há vários dias e também está sem email.

Afinal os cortes nos orçamentos da informática talvez tenham sido precipitados. Não? ;-)


terça-feira, 27 de março de 2012

Diplomados em informática caem para menos de metade

Imagem: MIT
Segundo esta notícia do Negócios Online, Portugal perdeu, em apenas quatro anos, mais de metade dos alunos de informática. Entre 2005 e 2009, a percentagem de diplomados nesta área terá descido de 5,1% para 1,7%.

Estes números foram compilados pelo Eurostat, que os produziu após análise dos estudos universitários no espaço da União Europeia a 27.

A segunda maior queda terá sido no Reino Unido, onde a percentagem de diplomados em informática desceu de 5,9% para 4%.

A média europeia da percentagem de diplomados em informática é de 3,4%.

A notícia não refere, mas seria interessante comparar não só a informática mas todos os cursos de ciência e tecnologia. Não será de espantar que o mesmo se esteja a passar com outros cursos deste género.

Entre a redução do número de diplomados e a emigração dos informáticos mais competentes nada de bom se augura à capacidade das TIC nacionais para competir a nível global, nem mesmo se apenas se dedicarem ao mercado lusófono.

Ideias, alguém?


segunda-feira, 26 de março de 2012

Subsídios é no QREN, s.f.f. - #pl118

Foto: Gabriela Canavilhas - Deputada do PSA reportagem da TVI que passou no sábado sobre o projecto lei 118 veio reforçar convicção de que há um grupo de empresas nacionais que estão a fazer lobby para obter, com a desculpa da cópia privada, uma compensação pelas perdas "derivadas da pirataria".

O "problema da pirataria" é, na realidade, um problema de posicionamento estratégico das empresas. Não há negócio quando não há valor para o cliente. O que as editoras estão a tentar fazer é prolongar a facturação por serviços que os seus clientes deixaram de valorizar da mesma forma. A "pirataria" existe por que a tecnologia actual permite realizar o "milagre da multiplicação" praticamente sem custos, o que torna irrelevante o negócio da cópia e distribuição.

Está assim cada vez mais claro o que se pretende: angariar um subsídio anual de 6 milhões de euros para o sector editorial, com revisão anual da lei para garantir que o subsídio não falhe mesmo que apareçam novas tecnologias. Um subsídio que será pago maioritariamente por por todas as empresas e profissionais, ao adquirirem material informático para armazenamento de dados.

Por mais que achemos que os subsídios possam ter um efeito positivo na dinamização ou renovação de certos negócios, não podemos aceitar que este subsídio seja atribuído assim. Se as editoras querem subsídios devem, como toda a gente, ir bater à porta do QREN.








quinta-feira, 22 de março de 2012

Parasitagem III - #pl118

Segundo notícia do Público, o Partido Socialista retirou a Proposta de Lei 118/XII para a rever e apresentar nova versão. Nenhuma novidade aqui. O processo continua, como anunciado anteriormente pela Deputada Gabriela Canavilhas

O que o Partido Socialista irá propor, mesmo com as alterações previstas, é inaceitável, por diversos motivos:
  • Inflacionará custos da informática empresarial: porque pretende aplicar uma taxa demasiado abrangente, que deveria incidir apenas sobre tecnologias de usufruto (áudio, vídeo); taxar armazenamento é tão absurdo como a taxar electricidade ou comunicações
  • Prejudicará competitividade empresas TI nacionais: taxação nacional dá vantagens a empresas estrangeiras:
    • Empresas de TI que importam equipamentos terão concorrência agravada por parte de empresas que operam no estrangeiro e não serão taxadas nas vendas directas para outros países - o que provocará uma situação semelhante ao que acontece na venda de combustíveis perto da fronteira espanhola, com a diferença de que afectará todo o território e não só as regiões fronteiriças
    • Empresas de TI que exportem os seus serviços verão os seus preços agravados artificialmente pela taxação, perdendo terreno para outras que operem em territórios não sujeitos a esta taxa
  • Enormes custos na cobrança: o esquema de responsabilidade de pagamento que é proposto dilui a responsabilidade pelos vários actores da cadeia de fornecimento, criando a necessidade de investir em sistemas de gestão mais complexos do que os do IVA. Não só as empresas de TI serão afectadas. Os próprios beneficiários da taxação terão tantos custos com a gestão das cobranças e dos litígios que os benefícios serão em grande parte absorvidos pela gestão e nunca chegarão aos destinatários
  • Burocracia legislativa: a proposta de revisão anual ou bianual da lei só serve para dar mais trabalho a assessores e juristas, não trazendo qualquer valor para a economia nacional; é mais um caso da enorme burocracia legislativa que sufoca a nossa sociedade
  • Objectivo inaceitável: apesar de o projecto-lei abordar formalmente a "cópia privada", os seus promotores têm vindo a admitir, de forma mais ou menos expressa, que o objectivo é compensar as perdas que as editoras têm tido nos últimos anos; estas perdas dizem, são por causa da "pirataria", mas o que não referem é que as perdas são também provocadas pela globalização e pela concentração do negócio editorial em multinacionais como a Apple/iTunes; assim sendo, é absolutamente inaceitável que se utilize o conceito de "cópia privada" para, artificialmente, subsidiar um sector empresarial que não soube acompanhar a evolução tecnológica, a evolução dos mercados e, mais importante, a evolução do interesse dos seus clientes.

Esta parasitagem do sector económico das editoras sobre o sector económico da informática não pode ser aceite. Estejamos atentos.

(e não se esqueçam de assinar a petição e divulgá-la)

terça-feira, 20 de março de 2012

Contra a Taxa Canavilhas

Aderimos à campanha "Não à Taxa", que procura convencer a nossa Assembleia da República a não aprovar a Taxa Canavilhas.

O Projecto-Lei 118/XII é uma tentativa de cobrar dinheiro a quem não o deve pagar e entregá-lo a entidades opacas que representam organizações que vivem de um negócio ultrapassado pela realidade tecnológica.

Sugerimos a todos que assinem a petição "Impedir a Taxação da Sociedade da Informação" e que a divulguem pelos vossos amigos e conhecidos.

Dois excelentes índices do que se tem dito sobre este projecto de legislação pode ser encontrado aqui (blogues) e aqui (imprensa).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Richard Stallman no IST

Richard Stallman

O grande mentor do software livre, Richard Stallman, está em Portugal esta semana. Hoje, pelas 14h, estará no Auditório A1 no Complexo Pedagógico 1 da UMinho, em Braga e amanhã, também pelas 14h, estará no Grande Anfiteatro do IST, em Lisboa.

"Richard Matthew Stallman, frequentemente abreviado para 'rms' (Manhattan, 16 de março de 1953) é um famoso hacker, fundador do movimento free software, do projeto GNU, e da Free Software Foundation (FSF) ("Fundação para o Software Livre"). Um aclamado programador, seus maiores feitos incluem Emacs (e o GNU Emacs, mais tarde), o GNU Compiler Collection e o GNU Debugger. É também autor da GNU General Public License (GNU GPL ou GPL), a licença livre mais usada no mundo, que consolidou o conceito de copyleft.
Desde a metade dos anos 1990, Stallman tem dedicado a maior parte de seu tempo ao ativismo político, defendendo software livre e lutando contra a patente de softwares e a expansão da lei de copyright." (fonte: wikipedia)


Sobre o evento de Braga:
"No próximo dia 28 de Fevereiro pelas 14h, Richard Stallman, vai à Universidade do Minho numa iniciativa organizada pelo CeSIUM, Centro de Estudantes de Engenharia Informática da Universidade do Minho.
Richard Stallman, conhecido um dos maiores hackers mundiais, criador do Sistema Operativo GNU e fundador da Free Software Foundation, irá discursar sobre a tão badalada temática da liberdade do utilizador de Internet, com o tema *Copyright vs Community*.
Irá falar sobre o SOPA, o ACTA, o PIPA e restantes leis (ou projetos-lei) que põem em risco a liberdade na Internet."
(fonte: ansol.org)

Sobre o evento de Lisboa:
"Richard Stallman irá falar acerca dos objetivos e filosofia do Movimento do Software Livre, e o estado e história do sistema operativo GNU que, em combinação com o núcleo Linux, é atualmente usado por dezenas de milhões de utilizadores em todo o mundo."
(fonte: sinfo.org)

Numa época em que o conformismo vai deixando que cada vez mais as sociedades fiquem nas mãos de quem controla comunicações e software, as ideias de Richard Stallman trazem uma visão alternativa do papel do software na sociedade. É uma voz incómoda, mas que não convém ignorar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Parasitagem - II - (Proj. Lei 118/XII do P.S.)

Após as audições da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, em que participaram também a ANETIE e a ANSOL, o grupo parlamentar do PS apresentou uma série de propostas de alteração ao seu Projecto Lei 118/XII. Não podemos deixar de saudar aquilo que aparenta ser o reconhecimento do exagero absurdo que tinha sido proposto anteriormente. No entanto, as alterações que o PS concede estão muito aquém do que será necessário. Vejamos.

Como nunca se tinham dado ao trabalho de fazer as contas e perceber como estava mal elaborado o cálculo da taxa, os deputados do PS são agora obrigados a estabelecer um tecto máximo de 6% sobre o valor de cada produto. É que havia estimativas que punham a taxa num valor superior a 100% daqui a um ano ou dois para certos tipos de equipamento e isso acabou por ser uma proposta insustentável. No entanto, uma taxa nacional de 6% sobre estes equipamentos colocará, mesmo assim, uma pressão injusta sobre os preços dos importadores nacionais, e provocará um efeito semelhante ao que ocorre nos combustíveis: é mais barato comprar em Espanha. Com a importante diferença de que é muito mais prático para uma empresa de Lisboa ou do Porto mandar vir equipamentos electrónicos de Madrid do que combustíveis de Badajoz.

Os deputados do PS propõem também que as taxas sejam revistas anualmente ou bianualmente, por diploma do Governo. Por mais interessante que esta medida seja ao nível da criação de emprego (de assessores do Governo) a verdade é que demonstra bem a incapacidade de criar leis justas e perenes. É que não faz sentido nenhum criar leis que ficam desactualizadas ao fim de um ano. O que faz sentido é criar leis que sejam sólidas e que combatam a excessiva carga "jurídica" que a sociedade portuguesa tem e que tanta dificuldade coloca depois à aplicação da Justiça.

O projecto de lei 118/XII pode ser criticado de várias formas. No entanto, para os utilizadores de informática, podemos destacar alguns pontos mais relevantes:
  • Entre outros equipamento, é proposta a taxação de dispositivos de armazenamento, o que  prejudica empresas de TI e seus clientes ("apenas" todas as empresas do País), que são os maiores utilizadores de sistemas de armazenamento digital
  • A utilização de equipamentos de armazenamento é, maioritariamente, para fins de gestão interna - bases de dados, arquivos documentais, email, etc.
  • A taxação prejudica gravemente a internacionalização de negócios de alojamento de serviços na web, que necessitam de enormes volumes de armazenamento
  • A taxação prejudica a competitividade dos importadores nacionais, levando os clientes a fazer encomendas em sites internacionais
  • Taxar armazenamento digital será tão absurdo como taxar comunicações ou energia eléctrica, pelo facto de se taxar um bem ou serviço que, maioritariamente, é utilizado para fins não relacionados com a arte digital
  • Comparativamente, seria equivalente a taxar o papel para financiar os escritores que não conseguem vender os seus livros

Segundo a notícia do Público, a ex-ministra Gabriela Canavilhas, afirmou "Esta matéria [a cópia privada] é uma questão de princípio e a nossa primeira preocupação com este diploma é salvaguardar os direitos dos autores (...) Os nossos autores estão há muitos anos a perder receita considerável por via da desadequação da lei que está em vigor neste momento!". Em relação a isto, o que ocorre responder é que, para quem vê as coisas deste lado, quem está a perder receita há muito anos é um conjunto de "gestores de direito de cópia" que se agarram a um modelo de negócio ultrapassado e que ainda conseguem manter alguns autores reféns de contratos leoninos. E que o PS, por via deste projecto de lei, está simplesmente a propor que este tipo de negócio, tornado inviável pela evolução da tecnologia, seja mantido artificialmente através da cobrança desta taxa a todos os utilizadores de informática.

Inaceitável.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cartões de pagamento RFID chegam a Portugal - apesar das críticas lá fora

Estão por estes dias a sair várias notícias que anunciam a chegada a Portugal de uma nova forma de pagamento baseada em RFID. Segundo a notícia do Dinheiro Vivo:
"Não é preciso PIN, nem passar o cartão no terminal do multibanco. Basta acenar o cartão e, poucos segundos, a compra está feita. Os cartões com tecnologia ‘contactless' (sem contacto) vão chegar às carteiras dos portugueses até ao final do verão."

Curiosamente, li ainda esta manhã uma referência a uma notícia na Forbes que relatava a demonstração da simplicidade com que este tipo de cartões pode ser falsificado, com um pequeno investimento em equipamento e alguns conhecimentos técnicos.

Segundo a Forbes, a hacker Kristin Paget utilizou um leitor de cartões RFID da Vivotech que comprou no eBay por $50 para ler, sem fios, um cartão de crédito de um voluntário, em pleno palco, e obteve o número do cartão, data de expiração e o número de segurança usado para autenticar os pagamentos. Pouco depois ela usou um equipamento de $300 para codificar os dados num cartão em branco. De seguida, utilizou um acessório para  iPhone que permite passar um cartão e receber pagamentos, de modo a pagar a si mesma $15 com o dinheiro do voluntário usando o cartão falsificado que tinha acabado de criar. Finalmente entregou uma nota de $20 ao voluntário e sugeriu que ele cancelasse o cartão.


Como o RFID pode funcionar a alguma distância (cerca de 1 metro, nos smartcards), isto significa que estes dados podem ser roubados sem sequer pedir às pessoas que tirem o cartão do bolso onde têm a carteira.

Talvez valha a pena ler bem com atenção as letras pequeninas do contrato, quando o banco nos propuser a utilização destes novos cartões. Se eles se responsabilizarem pelas falhas de segurança no sistema talvez não percamos dinheiro. Mas quem paga as chatices?

(fotos: Forbes)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Parasitagem (Proj. Lei 118 do P.S.)


Segundo a Bíblia, Jesus Cristo fez o milagre da multiplicação dos pães, alimentando, com apenas cinco pães e dois peixes, uma multidão de mais de cinco mil pessoas. Estas pessoas não tinham onde comer e nem comprar o alimento. Cristo, contando com a generosidade de um menino que lhe doou os pães e os peixes, pôde alimentá-las e ainda sobraram doze cestos cheios. [adap. daqui]

Segundo o Partido Socialista, de acordo com a lógica que pretende impor através do Projecto Lei 118 sobre a cópia privada, ao partilhar os peixes e pães, Jesus Cristo estaria a prejudicar irremediavelmente os pescadores e padeiros da Palestina, pelo que todas as pessoas que comprassem cestos deveriam pagar uma taxa adicional para entregar a uma associação daqueles profissionais.

Se isto parece absurdo, é porque a lei que o Partido socialista propôs é mesmo absurda.

Se algumas pessoas copiam músicas e filmes utilizando discos ópticos e magnéticos porque diabos terão todos os utilizadores de discos magnéticos e ópticos que pagar uma taxa adicional, proporcional à capacidade de armazenamento?

E todos os outros que usam os sistemas de armazenamento para fins diferentes? Têm que pagar a mais pela incompatibilidade entre o modelo de negócios dos produtores de conteúdos e a realidade tecnológica em que vivemos?

Convém não andarmos distraídos. ;-)

Leituras adicionais sugeridas:


Nota: a ideia da comparação do #PL118 com o milagre da multiplicação foi inspirada num post de alguém no facebook, que infelizmente não consegui encontrar de novo e por isso não sou capaz de lhe dar o devido crédito, pelo que lhe peço antecipadamente as minhas desculpas.

Por este andar o primeiro lugar do ranking já era...

"Recentemente, ficou a conhecer-se o relatório do EGov Benchmark, um ranking da Comissão Europeia sobre serviços electrónicos. Portugal mantém-se no primeiro lugar do referido ranking, o que representa uma boa notícia para o país."

Pois era, era. Mas, assim, esse primeiro lugar não dura nada:

10ª Conferência da ANETIE - Convite

A Associação Nacional de Empresas de Tecnologia de Informação e Electrónica vai organizar, no próximo dia 24, a décima edição da sua Conferência Anual. Aqui fica o convite:

Clique no convite para se inscrever, ou envie email para geral@anetie.pt

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Contenção de custos nas TI do Estado

Parece que a poupança de 60% nas TI do Estado, prometida esta semana pelo Ministo Relvas, já está a ser posta em prática...

 "o acesso ao sistema está temporariamente indisponível"


 "serviço momentaneamente indisponível"


Nos anos 70 havia uma campanha na televisão que dizia "Não vá... telefone!". Agora vai haver uma nova versão: "Não telefone... vá! Leve um lanchinho, tire a senha e espere, que nós estamos em contenção de custos".  :-p