quinta-feira, 29 de maio de 2008

Em directo do 2º Meeting do PT.JUG

Decorre neste momento no auditório do Complexo Multidisciplinar do IST o 2º Meeting do Grupo Português de Utilizadores Java (PT.JUG).




Cerca de 60 pessoas da comunidade nacional de Java juntaram-se para trocarem conhecimento sobre tecnologias e projectos. Estão previstas 3 apresentações sobre os seguintes temas:

  • Fenix, Uma aplicação web com uma arquitectura não-standard (João Cachopo)
  • Interoperabilidade de Web Services com Metro e WCF (Paulo Traça)
  • Scripting na JVM, Maior produtividade para a plataforma Java ? (Miguel Duarte)



Está previsto que a reunião termine com um jantar de pizza e cola, patrocinado pela Atlassian. Serão também distribuídos alguns brindes da Atlassian e serão sorteadas licenças do InteliJIDEA entre os presentes no final da sessão.

As apresentações serão disponibilizadas posteriormente em vídeo e PDF através da mailing-list do PT.JUG

sábado, 24 de maio de 2008

A irresistível ascensão do software open-source

Nas últimas semanas têm vindo a lume diversas notícias que confirmam os piores receios de uma boa parte da indústria de software: a parte que baseia a sua existência no pagamento de licenças de utilização. O software de código aberto continua a sua ascenção e a tendência é para acelerar.


Poupar é um hábito difícil de largar

Cinco anos de pesquisa sobre as tendências de adopção do open-source permitem a Jim Johnson, do Standish Group afirmar: "O Open Source está a pôr o mercado de software de pantanas. (...) Representa uma perda real de rendimentos de 60 mil milhões de dólares para as empresas de software".
Este dinheiro não desapareceu simplesmente. Foi dinheiro poupado, que pôde ser investido noutras áreas ou aumentou o lucro das empresas. E, embora este valor seja apenas 6% do valor estimado do mercado de software, a verdade é que, sabendo isto, as organizações procurarão aumentar ainda mais as poupanças daqui para a frente.


Analistas recomendam redução de preços de licenças


Ainda há quinze dias, o editorial do Semana Informática fazia referência a esta questão, noticiando que analistas de mercado como a IDC e o Gartner Group estão a aconselhar as empresas de software a reduzir as suas margens de licenciamento, por forma a garantir a sua sobrevivência a longo prazo. Aparentemente, os compradores estão a aperceber-se de que pagam demasiado caro pelo direito a usar software proprietário. E provavelmente começam a fartar-se de alimentar as obscenas fortunas de alguns bilionários da indústria.


Não é só pelo dinheiro

Ao contrário do que se possa pensar, muitas organizações adoptam open-source por outros motivos para além do custo das licenças. Até porque já há muito tempo se sabe que o custo das licenças é apenas uma parte relativamente pequena do custo total dos sistemas informáticos. Entre os argumentos principais para a adopção de software open-source destacam-se: a independência do fabricante, a facilidade de adaptação e a segurança.


Afinal, quem é que manda nos meus ficheiros?


Uma derrota exemplar do software proprietário acaba de ser concedida pela Microsoft que, após vários anos a impor os formatos proprietários do Office, finalmente anunciou que vai passar a suportar o ISO 26300, mais conhecido por OpenDocument. A decisão de adaptar o Office para ler e escrever ficheiros neste formato standard, que já existe desde 2005 e não está sujeito a qualquer tipo de patentes, foi provocada pela crescente pressão de utilizadores preocupados, que começavam a perguntar-se se iriam estar eternamente dependentes de um único fabricante para aceder aos seus dados.


Open-source é factor diferenciador competitivo

Mark Driver, do Gartner Group, afirma que "(...) as organizações usarão projectos open-source estáveis como factor de diferenciação competitiva em relação a empresas que se recusam a aceitar que o open-source já está pronto para o mundo empresarial". Há já vários anos que produtos como o Linux, o Apache, o MySQL, o OpenOffice, o JBoss e muitos outros são usados em ambiente empresarial com grandes vantagens para as organizações.


Pagar o valor justo

Empresas de TI como a IBM, a Sun, a HP e muitas outras já perceberam há vários anos que podem ser viáveis num mundo em que as licenças de software são gratuitas e o código é aberto. As organizações utilizadoras começam a acreditar que o open-source, para além de lhes permitir poupar dinheiro, lhes dá outras vantagens competitivas. A menor das quais não será certamente, a possibilidade de mudar de fornecedor sem pôr em risco o seu sistema de informação.

O movimento open-source vem trazer, afinal, uma maior transparência ao mercado das TI, onde o cliente compra o serviço e paga o valor justo, em vez de estar permanentemente a pagar pelo simples facto de "estar na mão" do seu fornecedor.

É por isso que o movimento open-source é imparável.

sábado, 10 de maio de 2008

Conferência Europeia da Comunidade Alfresco


Já foi há quase quinze dias, mas julgo que ainda será relevante abordar a Conferência Europeia da Comunidade Alfresco, que decorreu em Barcelona no dia 22 de Abril. Com uma audiência de mais de 200 pessoas (a sala reservada estava cheia) vindas de vários pontos da Europa, este evento serviu para que muita gente desta comunidade se encontrasse pela primeira vez face a face.

A Alfresco Inc. é uma empresa recente, que apostou em criar uma solução de gestão documental de topo de gama usando o modelo open-source. Considerando que a empresa, no seu terceiro ano de actividade, já atingiu o break-even, parece ter sido uma boa aposta.

No arranque da conferência esteve John Powell, CEO da empresa, que falou um bocado sobre a excelente evolução da empresa e abordou a "guerra" entre o modelo de negócios proprietário e o modelo de código aberto. Exemplificou este conflito com o Microsoft SharePoint, que ele designou como "a morte da escolha", justificando o epíteto pelo facto de este produto levar subrepticiamente as organizações a adquirir licenças para quase todos os produtos importantes da Microsoft, de modo a ficarem totalmente bloqueadas e dependentes de um único fornecedor.

Em seguida falou John Newton, CTO, que continuou a falar das vantagens do modelo de código aberto e de como a existência deste modelo já permitiu às empresas de todo o mundo poupar seis mil milhões de dólares em licenciamento de software. Anunciou também que é objectivo da empresa transformar o Alfresco num "Sharepoint killer". Isto é: eles pretendem que o Alfresco seja uma alternativa open-source ao produto da Microsoft, com a vantagem de ser totalmente independente do sistema operativo, motor de base de dados, servidor aplicacional, etc.. Newton disse também que, embora o Alfresco ainda tenha que evoluir em termos de ECM (Enterprise Content Management - que só 10% das empresas usam, actualmente), a grande oportunidade está no WCM (Web Content Management), e no "social networking", que será a base das ferramentas de trabalho dos "knowledge workers" no futuro.

Na sessão de perguntas e respostas que se seguiu a esta intervenção, foi também abordada a recente benchmark realizada pela Unisys, em que um repositório Alfresco foi carregado com mais de 100 milhões de documentos sem que tivesse havido degradação significativa no desempenho da sua utilização. Curiosamente, e apesar de o Alfresco estar preparado para correr em modo cluster, esta benchmark foi executada numa única máquina.

Das várias apresentações que se seguiram, destaca-se a que abordou a versão 3 do Alfresco. Várias novidades estão previstas nesta versão, a começar por um interface web totalmente redesenhado recorrendo a Web Scripts e componentes Flash, para maior funcionalidade e interactividade. Outra novidade é que o site da comunidade Alfresco irá passar a conter um repositório de componentes visuais, feitos com Web Scripts, e será possível instalá-los ou actualizá-los de forma automática a partir do próprio interface Alfresco. Algo que é parecido com os sistemas de instalação de plugins que já se vão vendo em muitos projectos. Outra novidade importante é que a versão 3 irá implementar os protocolos de rede do Sharepoint, permitindo que o Alfresco seja usado em sua substituição.

Outra apresentação de destaque foi a da Junta da Andaluzia que para além de usar essencialmente software livre em todos os novos projectos ("o que é pago com dinheiro público deve ser público") acabou de assinar um contrato de 1,3 milhões de euros com um parceiro local da Alfresco, para prestar serviços de apoio continuado para os muitos repositórios documentais que já gerem com este software.

A seguir ao almoço, foi demonstrada a nova forma de redesenhar o interface web à medida: o Alfresco Dynamic Website é uma aplicação que permite "compor" o interface com componentes visuais criados com Web Scripts e que integra totalmente com as ferramentas de WCM existentes. Esta aplicação está já disponível na versão 2.2 Enterprise e irá também ser integrada na versão 3 Community.

Outra novidade é que o plugin para integração com o Open Office, semelhante ao já existente para o Microsoft Office, está a ser ultimado por um parceiro Alfresco da Alemanha e irá ser disponibilizado à comunidade no final do mês de Maio.

Houve também uma apresentação muito interessante de um UI alternativo, o OPSORO, feito por um jovem alemão durante um fim de semana, usando EXT-JS. Impressionante.

Enfim. Foi uma viagem que valeu a pena, não só pelo interesse das apresentações mas também para tomar o pulso ao dinamismo da comunidade europeia de Alfresco. Foi pena que, em mais de duas centenas de pessoas, só quatro fossemos portugueses. Pode ser que para o ano que vem sejamos mais. ;-)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

IPTV ainda deixa bastante a desejar

A televisão distribuida por IP, que já está a ser comercializada por algumas empresas em Portugal, ainda não consegue ter a mesma qualidade que o sinal analógico.

A diferença na largura de banda disponível numa linha telefónica ADSL e num cabo coaxial é demasiado grande e, por causa da elevada compressão das imagens na IPTV, há muitos pormenores que se misturam e perde-se algum detalhe. Para exemplo, vejam-se as duas imagens que se seguem, que comparam um sinal de IPTV com um sinal analógico, na mesma televisão.


Figura 1- imagem capturada com sinal IPTV (sobre ADSL)


Figura 2- imagem capturada com sinal analógico (sobre cabo coaxial)


Para além dos problemas com imagens estáticas há também problemas com as imagens em movimento. A excessiva compressão, necessária pela "reduzida" largura de banda do ADSL, provoca distorção nas cenas mais agitadas e inclusivamente algumas frames perdidas.

Como pequena compensação há os serviços digitais que as SetTopBoxes oferecem, com destaque para o Guia de Programas, este com muitas limitações pela sistemática alteração que os canais fazem à programação anunciada.

Enfim, esperemos que o Digital continue a evoluir e que a qualidade consiga atingir as expectativas criadas. E esperemos também que ninguém se lembre de fazer as contas aos quilogramas de CO2 libertado para a atmosfera por termos mais um aparelho em standby em casa, só para gravar mais um episódio do House. ;-)