sábado, 10 de maio de 2008

Conferência Europeia da Comunidade Alfresco


Já foi há quase quinze dias, mas julgo que ainda será relevante abordar a Conferência Europeia da Comunidade Alfresco, que decorreu em Barcelona no dia 22 de Abril. Com uma audiência de mais de 200 pessoas (a sala reservada estava cheia) vindas de vários pontos da Europa, este evento serviu para que muita gente desta comunidade se encontrasse pela primeira vez face a face.

A Alfresco Inc. é uma empresa recente, que apostou em criar uma solução de gestão documental de topo de gama usando o modelo open-source. Considerando que a empresa, no seu terceiro ano de actividade, já atingiu o break-even, parece ter sido uma boa aposta.

No arranque da conferência esteve John Powell, CEO da empresa, que falou um bocado sobre a excelente evolução da empresa e abordou a "guerra" entre o modelo de negócios proprietário e o modelo de código aberto. Exemplificou este conflito com o Microsoft SharePoint, que ele designou como "a morte da escolha", justificando o epíteto pelo facto de este produto levar subrepticiamente as organizações a adquirir licenças para quase todos os produtos importantes da Microsoft, de modo a ficarem totalmente bloqueadas e dependentes de um único fornecedor.

Em seguida falou John Newton, CTO, que continuou a falar das vantagens do modelo de código aberto e de como a existência deste modelo já permitiu às empresas de todo o mundo poupar seis mil milhões de dólares em licenciamento de software. Anunciou também que é objectivo da empresa transformar o Alfresco num "Sharepoint killer". Isto é: eles pretendem que o Alfresco seja uma alternativa open-source ao produto da Microsoft, com a vantagem de ser totalmente independente do sistema operativo, motor de base de dados, servidor aplicacional, etc.. Newton disse também que, embora o Alfresco ainda tenha que evoluir em termos de ECM (Enterprise Content Management - que só 10% das empresas usam, actualmente), a grande oportunidade está no WCM (Web Content Management), e no "social networking", que será a base das ferramentas de trabalho dos "knowledge workers" no futuro.

Na sessão de perguntas e respostas que se seguiu a esta intervenção, foi também abordada a recente benchmark realizada pela Unisys, em que um repositório Alfresco foi carregado com mais de 100 milhões de documentos sem que tivesse havido degradação significativa no desempenho da sua utilização. Curiosamente, e apesar de o Alfresco estar preparado para correr em modo cluster, esta benchmark foi executada numa única máquina.

Das várias apresentações que se seguiram, destaca-se a que abordou a versão 3 do Alfresco. Várias novidades estão previstas nesta versão, a começar por um interface web totalmente redesenhado recorrendo a Web Scripts e componentes Flash, para maior funcionalidade e interactividade. Outra novidade é que o site da comunidade Alfresco irá passar a conter um repositório de componentes visuais, feitos com Web Scripts, e será possível instalá-los ou actualizá-los de forma automática a partir do próprio interface Alfresco. Algo que é parecido com os sistemas de instalação de plugins que já se vão vendo em muitos projectos. Outra novidade importante é que a versão 3 irá implementar os protocolos de rede do Sharepoint, permitindo que o Alfresco seja usado em sua substituição.

Outra apresentação de destaque foi a da Junta da Andaluzia que para além de usar essencialmente software livre em todos os novos projectos ("o que é pago com dinheiro público deve ser público") acabou de assinar um contrato de 1,3 milhões de euros com um parceiro local da Alfresco, para prestar serviços de apoio continuado para os muitos repositórios documentais que já gerem com este software.

A seguir ao almoço, foi demonstrada a nova forma de redesenhar o interface web à medida: o Alfresco Dynamic Website é uma aplicação que permite "compor" o interface com componentes visuais criados com Web Scripts e que integra totalmente com as ferramentas de WCM existentes. Esta aplicação está já disponível na versão 2.2 Enterprise e irá também ser integrada na versão 3 Community.

Outra novidade é que o plugin para integração com o Open Office, semelhante ao já existente para o Microsoft Office, está a ser ultimado por um parceiro Alfresco da Alemanha e irá ser disponibilizado à comunidade no final do mês de Maio.

Houve também uma apresentação muito interessante de um UI alternativo, o OPSORO, feito por um jovem alemão durante um fim de semana, usando EXT-JS. Impressionante.

Enfim. Foi uma viagem que valeu a pena, não só pelo interesse das apresentações mas também para tomar o pulso ao dinamismo da comunidade europeia de Alfresco. Foi pena que, em mais de duas centenas de pessoas, só quatro fossemos portugueses. Pode ser que para o ano que vem sejamos mais. ;-)