Avançar para o conteúdo principal

Plataformas de Compras Públicas - Um problema para todo o sector das TI


As Plataformas de Compras Públicas, um conjunto de portais privados que o Estado está obrigado a usar desde o ano passado para todas as suas aquisições, arriscam-se a ser mais um problema para a imagem e credibilidade do sector das TI.

Por toda a parte se vão ouvindo queixas de mau funcionamento, interfaces mal desenhados, processos difíceis de entender, tecnologias que não funcionam, help-desks incompetentes, etc..

Considerando que estas plataformas ganharam, desde o ano passado, milhares de novos utilizadores que dependem delas para o funcionamento do seu negócio, perspectiva-se um período negro na relação entre utilizadores e informáticos, agravado pelo stress de propostas que têm que ser entregues com urgência, concursos que têm que ser processados dentro dos prazos, iniciativas que estão programadas com precisão, e dinheiro que está à espera de mudar de mãos mas não muda porque "o sistema não deixa".

Para além dos expectáveis (mas não justificáveis) bugs das plataformas, há um problema sério de falta de cultura de segurança entre utilizadores e profissionais das TI. A utilização de certificados digitais, obrigatória, ainda é muito mal compreendida e há um risco elevado de as pessoas não saberem gerir e proteger a sua identidade digital. Enquanto isso acontecer a probabilidade de perdas de negócios é mais elevada, o que será certamente agravado pela provável rigidez das plataformas que ainda estarão bastante imaturas em relação ao processo de compras públicas.

Se, no ano passado, os compradores públicos procuraram concentrar as suas compras antes de Julho para minorar os problemas derivados do uso das plataformas, já neste ano, logo que os Orçamentos entrem em vigor, não haverá forma de escapar aos problemas.

Aos compradores, uma sugestão: preparem-se e não confiem demasiado nas plataformas. Aos fornecedores: não deixem as propostas para o último dia, porque depois podem não conseguir entregá-las a tempo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Off-topic] "Novas" tendências de gestão

Afinal as novas tendências de gestão não são de agora. E as suas consequências também já são conhecidas há muito. Vejam esta carta do Senhor Vauban , Engenheiro Militar e Marechal de França, dirigida ao Senhor Losvois, Ministro da Guerra de Luís XIV, datada de 17 de Julho de 1683. "Monsenhor: ... Há alguns trabalhos nos últimos anos que não acabaram e não acabarão nunca, e tudo isso, Monsenhor, porque a confusão que causam as frequentes baixas de preços que surgem nas suas obras só servem para atrair como empreiteiros os miseráveis, malandros ou ignorantes e afugentar aqueles que são capazes de conduzir uma empresa. Digo mais, deste modo eles só atrasam e encarecem as obras consideravelmente porque essas baixas de preços e economias tão procuradas são imaginárias, dado que um empreiteiro que perde, faz o mesmo que um náufrago que se afoga, agarra-se a tudo o que pode; e agarrar-se a tudo, no ofício de empreiteiro, é não pagar aos fornecedores, pagar baixos salários, ter os piores

Conferência Europeia da Comunidade Alfresco

Já foi há quase quinze dias, mas julgo que ainda será relevante abordar a Conferência Europeia da Comunidade Alfresco, que decorreu em Barcelona no dia 22 de Abril. Com uma audiência de mais de 200 pessoas (a sala reservada estava cheia) vindas de vários pontos da Europa, este evento serviu para que muita gente desta comunidade se encontrasse pela primeira vez face a face. A Alfresco Inc. é uma empresa recente, que apostou em criar uma solução de gestão documental de topo de gama usando o modelo open-source . Considerando que a empresa, no seu terceiro ano de actividade, já atingiu o break-even , parece ter sido uma boa aposta. No arranque da conferência esteve John Powell, CEO da empresa, que falou um bocado sobre a excelente evolução da empresa e abordou a "guerra" entre o modelo de negócios proprietário e o modelo de código aberto. Exemplificou este conflito com o Microsoft SharePoint, que ele designou como "a morte da escolha", justificando o epíteto pelo facto

O que é uma POOL ?

Tenho andado a fazer implementações de mecanismos de pooling em Java 2 Enterprise Edition. Como me parece um conceito algo lato tentei a abordagem do dicionário. Alguns mostram que de facto a palavra é usada para muita coisa. A definição mais comum é "piscina". A que mais me agradou foi o que descobri na wikipedia , onde pooling é apresentada como uma técnica para guardar qualquer coisa que já não é necessária em determinado sitio (a que se chama pool ) com o objectivo de a usar quando necessário optimizando assim a utilização de recursos disponíveis. Partindo para a computação, existem vários tipos de pools: Thread Pool - Conjunto de threads livres que se vão adicionando a um fifo quando não necessárias e retirando quando se quiserem usar. Memory Pool - Conjunto de blocos de memória, todos da mesma dimensão, que se alocam inicialmente e usam à medida que necessário garantindo que o tempo de alocação de memória é constante e a fragmentação minima. Connect