quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

"Número de desempregados licenciados quadruplicou"

Há uns dias apareceu esta notícia por aí. A frase não conta a verdadeira história, e é alarmista. De facto, não nos diz uma coisa fundamental: quanto tempo levou a dar-se este aumento. Também não nos podemos esquecer que o desemprego de licenciados tende a aumentar no final dos anos lectivos. Mas isso são pormenores de somenos importância, para quem está essencialmente preocupado com aumentar as audiências ou tiragens, mesmo que seja à custa de desinformação ou alarmismos desnecessários.

Enfim, a notícia está exagerada. O que não quer dizer que seja falsa e que o problema não exista. Há, realmente, um número cada vez maior de licenciados à procura de trabalho. E o que fazer em relação a isto? O fundamental, parece-me, é que as licenciaturas têm que dar algo mais que o canudo ao fim dos anos de estudo. Vejamos o caso da informática...

Ao longo dos últimos anos tenho estado frequentemente envolvido em processos de contratação de colaboradores para o desenvolvimento de sistemas de informação, que é a actividade principal da nossa empresa. E o que me é dado a observar é que há cada vez mais gente a ostentar orgulhosamente uma licenciatura num qualquer tipo de informática. Infelizmente quando, durante as entrevistas, se procura avaliar a capacidade técnica dos tais licenciados, chega-se à conclusão que uma boa parte deles andou a ser enganado e a licenciatura não os torna minimamente qualificados para a profissão. De facto, uma confrangedora percentagem destes licenciados não têm mais capacidade do que aquela que lhes permite andar pelas empresas a instalar PC's, configurar impressoras e pouco mais. Ora isto dificilmente lhes permitirá arranjar trabalho...

O meu conselho aos actuais estudantes de informática é o seguinte: avaliem o vosso curso logo que possível - se está a ser fácil, desconfiem!

A informática não é fácil. É complexa, dinâmica e muito trabalhosa. Se a vossa licenciatura não corresponde a esta imagem, o melhor mesmo é mudarem de escola ou de curso. Ou isso ou arriscam-se a engrossar as estatísticas dos licenciados desempregados.