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Não basta fazer figas e ter fé


A bronca das presidenciais com os números de eleitor não pode passar em branco neste blogue. Visto de fora, o que se passou foi simples. Os vários sistemas de consulta aos novos números de eleitor falharam e com isso milhares de pessoas tiveram que passar horas em grandes confusões para descobrir onde podiam votar. Muitas, diz-se, terão desistido.

As razões concretas para este sistema crítico ter ido abaixo no preciso dia em que foi mais solicitado são certamente muitas. E os responsáveis também.

Mas, de uma forma geral, o que se passou foi simplesmente que quer o sistema quer as equipas de suporte não estavam preparados. É uma verdade de La Palisse, certamente, mas não deixa de ser o fulcro da questão. Para além disso, aparentemente, não havia plano de contingência.

Todos os bons profissionais sabem que a qualidade só se atinge com uma boa dose de preparação e com muita auto-desconfiança. Isto é: não basta montar os sistemas e esperar que corra tudo bem. É preciso testá-los muito para além da carga esperada, para que haja o mínimo de surpresas possível quando o dia crítico vier. E, mesmo com os testes a correr bem, há sempre que ter um "Plano B" pronto. Porque os sistemas falham, por milhentos motivos, e isso é uma certeza incontornável.

Comentários

  1. Bem, o problema primário não é informático, é continuarmos a precisar do número de cartão de eleitor e ele não constar de nenhum documento em papel ou plástico. Parece que o removeram cedo demais.

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  2. O problema, quanto a mim, é anterior às preocupações com o cartão e também às que se baseiam na negligência "informática" que é real...
    A questão é um problema de cidadania e de alfabetismo.
    Quando tive necessidade de requerer o novo cartão, verifiquei que o nº de eleitor não constava escrito. Entendi que havia razões para isso, nomeadamente, a relativa frequência com que este pode mudar em relação à total imutabilidade de todos os outros.
    Mas verifiquei também que os serviços me enviaram uma carta com o novo nº de eleitor, carta essa, que, a conselho do emissor, eu conservo religiosamente e que me acompanha para qualquer acto eleitoral desde então...
    Vejo pouca gente preocupada com a falta de cuidado dos meus queridos concidadãos...
    Claro que agora é muitíssimo mais fácil atribuir responsabilidades aos outros. E se estes outros forem "políticos" então é um fartar vilanagem!
    Não desculpo, porém, os serviços. Um aparelhómetro para ler o chip custa meia dúzia de tostões e dava um ar modernaço à eleição... Ainda que esta se tivesse destinado a perpetuar no poder um demagogo e incompetente, arrogando-se ares doutorais e de impoluta seriedade...
    JCM

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  3. Gostava de saber qual foi a empresa responsavel pela implementacao dessas mudancas... e com que criterios foi escolhida... Mas nao encontrei essa informacao em parte nenhuma.

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  4. Paulo: isso não era nada que não se soubesse há meses; que desculpa têm os informáticos para fazer um sistema que não está preparado para lidar com uma procura perfeitamente previsível? Ainda por cima porque, parece-me, a carga não foi nada de especial. Uns quantos milhões de pedidos ao longo de um dia? Hoje em dia podemos ter um quad-core com 32 GB de RAM num portátil que provavelmente consegue lidar com essa carga... se estiver bem programado. ;-)

    António: podes sempre ir perguntar ao Mário Valente, ex-director do ITIJ, e que anda por aí na blogosfera.

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