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Mensagens

Recém-licenciados das TI não sabem produzir sistemas de informação

Uma das conclusões mais chocantes do recente trabalho " Competências a reforçar na formação dos profissionais de TI em Portugal ", do Grupo de Trabalho das Competências, da ANETIE é que os recém-licenciados não sabem o suficiente sobre construção de interfaces nem sobre produção de informação . Não conheço estatísticas sobre esta matéria. Mas julgo que não estará muito longe da verdade a afirmação de que mais de 90% dos licenciados em cursos ligados às TI estarão envolvidos profissionalmente na produção ou exploração de Sistemas de Informação de Gestão. Isto é: bases de dados, formulários electrónicos, relatórios operacionais ou analíticos, troca de informação entre sistemas, etc.. Ora o que a ANETIE apurou junto dos seus associados é que entre as maiores lacunas encontradas nos licenciados do sector que se vão depois dedicar à engenharia de software, os conhecimentos sobre coisas básicas como écrans de entradas de dados e emissão de relatórios são extremamente baixos. Outr...

Concorrência global - resistiremos?

À minha mailbox profissional chegou hoje um email que me foi dirigido por uma empresa de outsourcing TI indiana. Já não é a primeira vez que recebo emails deste género. Mas é a primeira vez que o email é dirigido à minha pessoa e não a qualquer endereço genérico da empresa. A oferta desta empresa é simples: colocam pessoal no país por pouco mais de metade do preço do mercado. Dão-se ao luxo de prometer que o técnico que nos disponibilizam trabalhará 9 horas por dia e 5 dias por semana e não hesitará em trabalhar horas adicionais mesmo que tenha que ser ao sábado ou domingo, se o trabalho exigir. Na India, empresas de outsourcing como a Infotech empregam dezenas de milhares de técnicos e prestam serviços globais a centenas de empresas. Em 2004, o salário de um recém-licenciado na India era de $5.000 por ano e ao fim de alguns anos de experiência poderia estar a ganhar o dobro. Os salários têm vindo a subir, mas ainda estão muito longe dos praticados na Europa e EUA, permitindo às empre...

"Queres copiar sem seres apanhado?"

Estão aí os vendedores de ciber-cábulas. Em resposta a um sistema de avaliação irrealista, onde a classificação dos alunos depende demasiado da sua capacidade de memorização, os alunos acham-se muitas vezes no direito de copiar nos testes. Agora há quem se aproveite disso para ganhar dinheiro. Esta manhã encontrei na caixa de email geral da empresa um email cujo assunto é "Queres copiar sem ser apanhado?". Obviamente que quem mandou este email sente-se no direito de ganhar dinheiro com a perversão do sistema de ensino. E ao enviar este email indiscriminadamente para endereços que na sua generalidade não são de estudantes, estes vendedores de tretas contam com a passividade generalizada em relação ao problema. Já é mau que os estudantes usem cábulas, mas assim nem sequer têm que as fazer. Ora fazer as cábulas é, muitas vezes, a única ocasião em que os alunos mais preguiçosos de facto estudam alguma coisa. "Demonstra que és inteligente", é outra das pérolas de marketi...

Horário de trabalho

A trabalhar há dois meses na Irlanda, ando para escrever alguns apontamentos daqui de Dublin, mas são tantos e tão diversos que há matéria aqui para escrever um blog inteiro (e talvez ainda o faca se a inspiração vier em meu auxílio). Há no entanto uma diferença que encontrei por aqui que é muito mais marcante do que eu poderia supor poder ser, e lembrei-me deste ponto que talvez se acomode bem neste blog e no tipo de posts que por aqui há. Falo do horário de trabalho . O horário que por aqui se pratica, e que suponho generalizado, é de entrar as 9h e sair as 17h, com meia-hora de almoço. Ou seja, 7 horas e meia. Ou seja, meia-hora de diferença para o horário "normal" de Portugal. E que diferença que essa diferença faz... Os irlandeses não são muito "fanáticos" com o trabalho e os horários, não se trata de regimes "autoritários" como parece ser em Inglaterra ou na Alemanha - a propósito, sabem que os alemães dizem que na Alemanha a taxa de criminalidade é ...

Relatório ANETIE alerta para falhas nas "soft-skills", entre outras

Nos últimos meses, o Grupo e Trabalho das Competências, da ANETIE (Associação Nacional das Empresas das Tecnologias de Informação e Electrónica) realizou um trabalho de análise crítica da formação de profissionais das TI em Portugal. O resultado foi um relatório designado " Competências a reforçar na formação dos profissionais de TI em Portugal ". O relatório é baseado no resultado de um inquérito feito aos associados da ANETIE, e as respostas representam a opinião de uma parte importante das empresas empregadoras do sector nacional das TI. Este inquérito permitiu às empresas destacar as competências mais em falta nos técnicos recém-formados quando entram no mercado de trabalho. Um dos aspectos mais curiosos dos resultados do inquérito é a grande importância que as empresas dão às soft-skills - as competências não técnicas - que acabam por ser consideradas aquelas que mais faltam aos novos profissionais. A fraca opinião que as empresas têm sobre a formação em soft-skills ...

GMail, GDocs, GCalendar, GDrive... GPrivacidade?

Segundo a agência Reuters, a Google está prestes a disponibilizar um serviço de alojamento de ficheiros gratuito, denominado GDrive, noticia a EarthTimes . Mais uma carta para o baralho de funcionalidades que a Google disponibiliza. Rumores falam de sincronia automatica, acesso VPN, etc. E mais um docinho para nos deleitarmos em troca de privacidade (ou falta dela, diga-se). Ainda acham que isso do Google saber de tudo sobre todos está longe de acontecer? Se há quem não se sinta à vontade a redigir os seus documentos no Google Docs, ou registar marcações pseudo-secretas no Google Calendar, já um serviço como o GDrive pode levar muitos a pôr ficheiros pessoais de todo o foro como se do servidorzito FTP do nosso ISP pessoal se tratasse. Não falo por mim, que ainda não me dignei a guardar as minhas coisas noutro sitio - até fotos tenho nos albuns Web do Google Picasa - mas o problema não é o expor dados a um suporte de armazenamento gerido por terceiros. O problema é toda a gente em tod...

Qualificações vs. Competências

A notícia do dia é que os rapazes e raparigas portugueses com 15 anos eram, em 2006, uns grandes ignorantes. Isto não tem qualquer sentido pejorativo. É um facto cientificamente comprovado pela OCDE. A verdade é que os nossos estudantes passam mais ou menos os mesmos anos na escola que os outros. E, ao fim de 15 anos são licenciados como os outros. Mas o problema é que sabem menos. Toda a gente sabe que um "canudo", por si só, não serve de muito. Não se vai ao supermercado comprar arroz e legumes com um diploma universitário. As meninas da caixa, seguindo inteligentes instruções dos seus superiores hierárquicos, só aceitam dinheiro. E o dinheiro ganha-se quando se tem valor . Estudantes: não será altura de irem para as ruas reclamar competências em vez de "canudos"? Mas, se forem, não faltem às aulas. Elas já são tão pouco eficientes...