sexta-feira, 21 de abril de 2006

O machado do lenhador


Há muitos anos atrás, quando os viajantes andavam a pé e as casas se aqueciam com madeira, um homem ia por uma estrada solitária e encontrou um lenhador a cortar umas árvores. Como já vinha a caminhar havia horas sem encontrar ninguém, parou e tentou meter conversa.

O lenhador, por seu lado não estava muito falador. Atarefado com o seu trabalho resmungou uma resposta mal encarada ao alegre "Boas tardes!" que o viajante lhe atirara. E o "Está um lindo dia, hoje!" recebeu apenas como resposta um olhar atravessado e carrancudo.

Aproveitando para descansar um pouco, o viajante entreteve-se a observar o lenhador no seu trabalho.

Este estava nitidamente incomodado. A labuta corria-lhe mal. As árvores recusavam-se a cair e o lenhador bufava e suava. O machado resvalava e resaltava na madeira como se esta fosse mágica e invulnerável. Com muito esforço, uma árvorezita mais franzina lá se deixava abater de vez em quando.

Depois de passar um bocado a observar este triste espectáculo, o viajante perguntou ao lenhador:
- Ó bom lenhador! Não achais que é altura de parar um pouco e afiar o machado?
O lenhador, ouvindo isto explodiu:
- Não sejais idiota! Não vedes que tenho todas estas árvores para abater e não tenho tempo para isso?!? Metei-vos ao caminho e deixai-me trabalhar!

E dito isto virou as costas ao viajante, que por sua vez pegou na sua trouxa e se fez de novo à estrada, espantado com tamanho bruto.


Moral da história: a tua produtividade é directamente proporcional à qualidade das tuas ferramentas e à tua capacidade de as usares em todo o seu potencial.